TEXTO:
O Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 2017
foi para os norte-americanos Jeffrey C. Hall, Michael
Rosbash e Michael W. Young. Eles descobriram qual
é o gene responsável por manter o relógio biológico
[5] das pessoas regulado e qual truque esse pequeno
pedaço de DNA usa para alinhar o comportamento de
humanos, plantas e animais ao dia e à noite.
Segundo o anúncio oficial, o astrônomo e
geofísico francês Jean Jacques d’Ortous de Mairan,
[10] ainda no século 18, foi o primeiro a testar a hipótese
de que os seres vivos têm um relógio interno. Ele
percebeu que as mimosas – essas plantinhas
simpáticas – continuam abrindo suas folhas para o Sol,
mesmo quando passam o dia em um ambiente escuro,
[15] ou seja, de alguma forma, mesmo sem ter a luz de
referência, elas sabem que é dia.
Esse fenômeno de sincronização das atividades
de organismos vivos com a rotação da Terra ganhou o
nome de ritmo circadiano. Ele foi verificado até nas
[20] espécies animais e vegetais mais simples ao longo dos
últimos séculos, mas por muito tempo a ciência não
soube como um relógio tão preciso podia vir instalado,
“de fábrica”, nas células.
Graças a Hall, Rosbash e Young, hoje, está
[25] confirmado que o funcionamento do corpo humano
tem “picos” e “vales”: pela manhã, a produção de
testosterona e a capacidade de concentração são mais
altas. À tarde, a coordenação motora fica mais afiada.
Ao anoitecer, a pressão sanguínea e a temperatura
[30] corporal aumentam e, depois do jantar, vem a liberação
de melatonina, o hormônio do sono.
Em última instância, hoje se tem consciência de
que há uma ligação sutil entre coisas grandes demais
para a imaginação humana – o movimento da Terra no
[35] vácuo – e coisas tão microscópicas quanto às
moléculas, que fazem a vida ser o que ela é. Um Nobel
bem filosófico.
VAIANO, Bruno. Já era hora: Nobel de Medicina vai para estudiosos do relógio biológico. Disponível em: <https://super.abril.com.br/saude/ ja-era-hora-nobel-de-medicina-vai-para-estudiosos-do-relogiobiologico/>. Acesso em: 3 fev. 2018. Adaptado.
Considerando-se a pontuação usada no texto, é correto afirmar: