Texto
Balé das baleias
Verissimo
“Em compensação” não pode ser o começo de
nenhuma frase sobre a pandemia que nos
assola. Nada compensa, mitiga, inocenta,
redime, atenua, suaviza ou absolve o vírus
[05] assassino, por respeito aos que ele já matou e
continua matando. Portanto, não veja como
simpatia pelo demônio a simples constatação,
noticiada pela imprensa internacional, de que
um efeito da pandemia e das medidas tomadas
[10] para controlá-la tem sido a queda dos índices da
poluição em todo o planeta. Triste ironia: o ar se
torna respirável pela diminuição da atividade
industrial e a ausência de gente nas ruas
justamente onde ele é mais venenoso. O
[15] demônio tem suas astúcias.
Li que os habitantes de Marselha, no sul da
França, estão vendo, diariamente, um
espetáculo raro. Baleias se aproximam da costa
e se exibem, certamente surpreendidas pela
[20] sua própria súbita ascensão ao estrelato. O
porto de Marselha é o mais importante da
França, e seu movimento incessante mantém
as baleias longe. Ou mantinha. Com as
limitações impostas pelo coronavírus, abriu-se o
[25] espaço para o balé das baleias, que, não
demora, estarão integradas à vida social de
Marselha, provando a bouillabaisse do VieuxPort e dando autógrafos.
Disponível em: https://oglobo.globo.com/opiniao/bale-dasbaleias-24374057. Acesso em 03 jun. 2020.
Identifique, respectivamente, os tempos verbais e as correspondentes noções semânticas das formas sublinhadas a seguir:
“Nada compensa, mitiga, inocenta, redime, atenua, suaviza ou absolve o vírus assassino, por respeito aos que ele já matou e continua matando.
Portanto, não veja como simpatia pelo demônio a simples constatação, noticiada pela imprensa internacional, de que um efeito da pandemia e das medidas tomadas para controlá-la tem sido a queda dos índices da poluição em todo o planeta.” (linhas 3-11)