Texto 1
“Nos primeiros dias após o golpe, uma violenta repressão atingiu os setores politicamente mais mobilizados à esquerda no espectro político. Milhares de pessoas foram presas de modo irregular, e a ocorrência de casos de tortura foi comum, especialmente no Nordeste. O líder comunista Gregório Bezerra, por exemplo, foi arrastado amarrado pelas ruas do Recife.
O golpe militar foi saudado por importantes setores da sociedade brasileira e recebido com alívio pelo governo norte-americano, satisfeito de ver que o Brasil não tomaria o mesmo rumo socialista de Cuba. Os Estados Unidos acompanharam de perto a conspiração e o desenrolar dos acontecimentos: através da secreta “Operação Brother Sam”, haviam decidido dar apoio logístico
aos militares golpistas, caso houvesse uma longa resistência por parte das forças de Jango [...].”
CASTRO, Celso. A conspiração fardada. Nossa História, São Paulo, Vera Cruz, ano 1, n. 5, p. 45, mar. 2004.
Texto 2
“[...] Com a queda de Goulart os cárceres se encheram. No Nordeste, os fazendeiros e seus capangas chacinavam camponeses, o IV Exército, comandado pelo general Justino Alves Bastos, derrubou, simultaneamente, Arraes e Seixas Dórias, governadores de Pernambuco e Sergipe [...]. E, enquanto a repressão prosseguia, com a invasão de lares e atendados aos direitos humanos, 200 mil pessoas (ponderável setor das classes médias e de toda a burguesia) desfilaram pelas ruas do Rio de Janeiro, em 2 de abril, na Marcha da Família com Deus e pela Liberdade. [...].”
BANDEIRA, Moniz. O governo de João Goulart: as lutas sociais no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. p. 185.
As interpretações sobre o Golpe Militar, de 1964, no Brasil, são múltiplas. A distância temporal de análises, a abertura de novos arquivos são, por exemplo, alguns dos fatores que propiciam essa multiplicidade. Os textos acima apresentam algumas dessas visões. Analisando as informações apresentadas pelos autores dos dois textos, é possível concluir que: