Texto
Hermano não falava nunca de sua casa. Alegava não compreender muito bem porque o homem devia ter um lar. O homem, diziam-lhe sempre, era o ser livre. Nem Deus o quis privar da liberdade. E Deus era o manda-chuva do mundo. E seu criador. Um dia, entediado, ele começou a brincar com barro, na sua olaria. Nos quintais do céu, Jeová havia mandado construir uma, para fabricar telhas e com elas consertar goteiras no purgatório. Brincando, suas mãos infinitamente idosas fizeram uma travessura digna de boa surra. Criaram o Homem! Um boneco de barro, metido a muita cousa. Mas Jeová se arrependeu da brincadeira. Vendo o que faria o boneco, saído de si em momento de tédio, atirou-o num monte enorme de barro. E lá o deixou. Livre.
Deus não fez como seu Manoel açougueiro que criou a Regina e o Chiquinho – um casal de bonecos pretos – e nunca mais os largou.
Hermano achava que o tal homem seria verdadeiramente livre se não tivesse todos os dias que ir a casa para almoçar. Para tomar banho. Para dormir. E mexer numa tulha cheia de problemas mesquinhos. Falta de feijão; educação, futuro, contas do padeiro, baratas e trabalho. Dogmas, normas, inibições. Para ele, o homem não era livre. Livre, ∼, era o burro. Um burro come onde encontra capim. Não tem que voltar, tarde da noite, para uma cama no quarto de uma casa, numa rua de cidade. Quanta limitação! Qual, o homem não era livre.
[...]
(LEÃO, Ursulino. Maya. 2. ed. Goiânia: Kelps, 1975, p. 13. Adaptado.)
O Texto afirma que o homem deve ser livre. No século XVIII, na Europa, a liberdade do homem passou a ser evocada por filósofos e educadores para que se alcançasse o progresso intelectual, social e moral. Nesse empreendimento, o problema educativo foi posto cada vez mais no centro da vida social. Sobre essa temática, analise os itens a seguir quanto à sua correção:
I-A educação deveria ter a função de assegurar aos grupos sociais a formação dos cidadãos para a produtividade, libertando-os de preconceitos, tradições acríticas e crenças irracionais.
II-A educação promoveria o fortalecimento do sentimento religioso, pois a religião seria um mediador entre a sociedade e o poder, evitando assim os conflitos sociais, a desordem e a amoralidade dos princípios.
III-A educação seria emancipadora, porque o homem autônomo reivindicaria para si próprio o papel de guia de sua formação.
De acordo com os itens analisados, marque a alternativa que contém apenas proposições corretas: