INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto a seguir.
Não tive acesso ao conteúdo do livro “Por uma
vida melhor”, apenas a pequenos trechos. Portanto,
falo com base em informações e opiniões de terceiros.
Nessa perspectiva, vejo como positivo o debate que
[5] a abordagem pouco ortodoxa dos autores desen-
cadeou, pondo fogo a um tema em geral tido como
irrelevante: a língua materna em uso. Entretanto,
um trecho da obra me preocupou, e destaco: “Posso
falar ‘os livro’?” “Claro que pode, mas dependendo
[10] da situação, a pessoa pode ser vítima de preconceito
linguístico”.
Para começar, pedir licença para falar de um de-
terminado jeito é um tiro no pé da tese defendida em
“Por uma vida melhor”. Porque pedir licença, neste
[15] contexto, é reconhecer o poder do outro sobre nós –
o que parece ser exatamente o contrário do que os
autores pregam. Além disso, a resposta “Claro que
pode” é inócua: o aluno tanto sabe que pode que usa
essa concordância rotineiramente.
[20] O problema maior, bem mais sutil e muito mais
complicado, porém, está na segunda parte da fala.
Agir livre de preconceito, o oposto de fazer alguém
“vítima de preconceito”, implica não só aceitar as
pessoas como são, mas também acreditar que todos
[25] sejam capazes de evoluir por méritos próprios. Ao
afirmar que a modalidade “permitida” pode vitimizar
quem a utiliza – pela ação do “outro ameaçador” –, os
autores estão deslocando o foco da importância
de construir conhecimento de modo autônomo
[30] e reflexivo e enfatizando o julgamento alheio,
novamente reforçando o preconceito. Ora, aula de lín-
gua materna é aula de cidadania, e ninguém se torna
cidadão por receio do “outro ameaçador”. O aluno deve
ter oportunidade de conhecer e desenvolver múltiplas
[35] linguagens porque assim ele poderá expressar ideias
e sentimentos com mais autonomia. E, talvez, com
menos preconceito.
Tudo isso pode parecer muito sutil, mas a lingua-
gem é feita de sutilezas, para o bem ou para o mal.
Marisa M. Smith. PUCRS, Notícias FALE, junho, 2011.
INSTRUÇÃO: Para responder à questão, analise as possibilidades de deslocamento de certos termos do texto. Desconsidere o uso de maiúsculas.
1. “Portanto” (linha 02) para depois de “falo” (linha 03), entre vírgulas.
2. “Nessa perspectiva” (linha 04) para depois de “desencadeou” (linha 06), sem vírgulas.
3. “novamente” (linha 31) para depois de “reflexivo” (linha 30), sem vírgulas.
4. “assim” (linha 35) para antes de “O aluno” (linha 33), seguido de vírgula.
5. “talvez” (linha 36) para depois de “preconceito” (linha 37), precedido de vírgula.
O sentido e a correção das frases ficaria mantido apenas nos casos: