João Cabral de Melo Neto (1920-1999) estreou na poesia em 1942, com Pedra do Sono, livro com algumas marcas surrealistas. No decorrer de sua obra, foi cada vez mais em busca da expressão exata e avessa ao sentimentalismo, sendo muito frequentemente considerado um poeta “cerebral”. O poema a seguir foi extraído de Agrestes, de 1985.
De um jogador brasileiro a um técnico espanhol
Não é a bola alguma carta
que se levar de casa em casa:
é antes telegrama que vai
de onde o atiram ao onde cai.
Parado, o brasileiro a faz
ir onde há-de, sem leva e traz;
com aritméticas de circo
ele a faz ir onde é preciso;
em telegrama, que é sem tempo
ele a faz ir ao mais extremo.
Não corre: ele sabe que a bola,
telegrama, mais corre que voa.
(MELO NETO, João Cabral de. Agrestes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. p. 90)
Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as afirmações sobre o poema apresentado.
( ) A linguagem concisa e elíptica, a presença de rimas e o uso de estrofes de dois versos situam o empenho do poeta em dialogar com o Concretismo brasileiro.
( ) Na tentativa de construir uma definição do futebol brasileiro, o poema faz uma dupla analogia: a carta, que corresponderia à condução de bola e ao passe curto, e o telegrama, que corresponderia ao passe longo e preciso.
( ) Pela expressão “aritméticas de circo”, é possível depreender que o futebol praticado pelo jogador brasileiro concilia qualidades contraditórias: o rigor objetivo e a plasticidade inventiva.
O correto preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é