Leia o trecho da crônica “A vida é coisa boa”, de Ignácio de Loyola Brandão, no qual uma mãe descreve para seus
empregadores como é o atendimento de saúde para os menos favorecidos.
– É que médico, para nós, do subúrbio, quer dizer sair cedo e ficar um tempão, de pé, na fila, cheia de gente brigando pelo lugar. Ficar amontoada, morrendo de fome e de sede, com vontade de ir ao banheiro e vendo chegar gente doente, molambenta, estropiada, rotos e esfarrapados. Ficar olhando pessoas abandonadas, espalhadas pelo chão, gemendo e chorando. Vendo gente desmaiar. Não tendo onde descansar, não sabendo se vai fazer a consulta, enfrentando mau humor e a gozação dos atendentes, falando com gente que nem examina nem olha, passa a receita sem dizer o que a gente tem.
(BRANDÃO, I. de L. Calcinhas secretas. São Paulo: Ática, 2003. p. 68).
Em relação ao fragmento, considere as seguintes afirmações.
I. No fragmento da crônica, denunciam-se os conflitos da sociedade, possibilitando a reflexão crítica sobre o cotidiano.
II. Na primeira linha, a expressão para nós refere-se, num sentido geral, a um determinado grupo social, que configura grande parte da sociedade brasileira.
III. No trecho acima, o autor utiliza a conotação para criar a descrição de um espaço e de um ambiente marcados pela desigualdade social.
Das afirmações acima,