De acordo com a leitura do excerto e do conto História praiana, de Eglê Malheiros, responda à questão.
TEXTO 1
História praiana
[1] Partos a termo tinham sido doze, criou cinco. Uns se foram ainda anjinhos,
batizados em casa às pressas, para não ficarem a eternidade no limbo, sem ver a face
do Senhor. Outros até parecia que iam vingar, engatinhando pela casa, mas sem mais
nem menos perdiam o apetite, a barriga inchava, o pessoal logo se punha a cochichar
[5] que era mau-olhado ou embruxamento. O caso é que, por mais que ela rezasse e desse
chazinhos, eles se iam.
(...)
Já faz uns anos que parou de ter menino; quer dizer, fica grávida, mas perde. Dali
uns tempos, outra vez. A mulher do doutor perguntou para o Armando por que ele não
[10] leva Docelina ao Posto de Saúde, visse como ela estava consumida, ensinavam como
evitar. Armando se alterou: “Não quero essas modernices, Deus sabe o que faz!”
(...)
Ultimamente, aos sábados, Docelina tem comparecido a umas conversas no Posto
de Saúde, com umas doutoras da Cidade; tem uma enfermeira que vai se candidatar a
[15] vereadora. Elas falam de coisas que até deixam a gente vermelha, sabe, essas coisas
da vivências da gente, que mulher também pode gostar da coisa, sem essa de “servir”
seu homem. Que a gente tem de cuidar da saúde, ter o gosto de se arrumar e que já
passou o tempo em o homem mandava e a mulher obedecia. Também falam que o crivo
e a renda são uma arte, têm valor; que não devemos entregar para atravessadoras que
[20] nos pagam ninharia.
(...)
Quanta coisa, agora, no presente, quanta coisa para o futuro. Quanta coisa para
meditar sob os raios do sol poente.
Era noite, os homens bebendo a sua cachacinha na venda do Tibúrcio, o Armando
[25] isolado, sentado a um canto, o rosto entre as mãos; de repente ele explodiu:
– Bruxas, bruxas, da pior espécie.
Eglê Malheiros, em 13 Cascaes, p. 35-38.
Assinale a alternativa incorreta.