Leia o excerto abaixo:
Santos receava os fuzilamentos; por exemplo, se fuzilassem o imperador, e com ele as pessoas de sociedade? Recordou que o Terror... Aires tirou-lhe o Terror da cabeça. As ocasiões fazem as revoluções, disse ele, sem intenção de rimar, mas gostou que rimasse, para dar forma fixa à ideia. Depois lembrou a índole branda do povo. O povo mudaria de governo, sem tocar nas pessoas. Haveria lances de generosidade. Para provar o que dizia referiu um caso que lhe contara um velho amigo, o Marechal Beaurepaire Rohan. Era no tempo da Regência. O imperador fora ao Teatro de S. Pedro de Alcântara. No fim do espetáculo, o amigo, então moço, ouviu grande rumor do lado da Igreja de S. Francisco, e correu a saber o que era. Falou a um homem, que bradava indignado, e soube dele que o cocheiro do imperador não tirara o chapéu no momento em que este chegara à porta para entrar no coche; o homem acrescentou: "Eu sou ré..." Naquele tempo os republicanos por brevidade eram assim chamados. "Eu sou ré, mas não consinto que faltem ao respeito a este menino!"
MACHADO DE ASSIS, Manuel Maria. Esaú e Jacó. São Paulo: Globo, 1997, p. 133.
Analise as proposições sobre o excerto acima e o contexto histórico a que ele se refere, e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa.
( ) A revolução de que trata o excerto refere-se à mudança do regime político no Brasil, do regime imperial para o republicano.
( ) O excerto trata da independência do Brasil e o temor de que essa mudança pudesse afetar o país de forma violenta, incluindo o risco de fuzilamento do imperador Dom Pedro I.
( ) O “Terror”, a que se refere Santos, retrata os conflitos e as tensões ocorridos no período regencial, como, por exemplo, a Guerra dos Farrapos.
( ) As referências à “índole branda do povo” e ao fato de que o “povo mudaria de governo, sem tocar nas pessoas”, seguidas do exemplo dado por Aires para provar o que dizia, podem ser lidas como uma crítica contundente do autor às relações sociais e de poder estabelecidas no Brasil, que também ajudaram a explicar de que maneira o novo regime político, tratado no texto, foi instaurado.
( ) A expressão “as ocasiões fazem as revoluções” pode ser lida de diferentes maneiras, mas, no contexto histórico tratado, pode-se interpretá-la como uma crítica de Machado de Assis à onda de adesismos ao novo regime político por parte de lideranças políticas antagônicas – liberais, conservadoras e republicanas – que empunharam uma mesma bandeira, iniciando uma série de mudanças oportunas de posição política.
Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo: