TEXTO 4
DESTINO
[1] OCUPARAM A MESA DO CANTO. O GATO PUXOU o baralho. Mas nem Pedro Bala,
nem João Grande, nem Professor, tampouco Boa-Vida se interessaram. Esperavam o
Querido-de-Deus na Porta do Mar. As mesas estavam cheias. Muito tempo a Porta do
Mar andara sem fregueses. A varíola não deixava. Agora que ela tinha ido embora, os
[5] homens comentavam as mortes. Alguém falou no lazareto. “É uma desgraça ser pobre”,
disse um marítimo.
Numa mesa pediram cachaça. Houve um movimento de copos no balcão. Um
velho então disse:
− Ninguém pode mudar o destino. É coisa feita lá em cima – apontava o céu.
[10] Mas João de Adão falou de outra mesa:
− Um dia a gente muda o destino dos pobres...
Pedro Bala levantou a cabeça, Professor ouviu sorridente. Mas João Grande e
Boa-Vida pareciam apoiar as palavras do velho, que repetiu:
− Ninguém pode mudar, não. Está escrito lá em cima.
[15] − Um dia a gente muda... – disse Pedro Bala, e todos olharam para o menino.
− Que é que tu sabe, frangote? – perguntou o velho.
− É filho do Loiro, fala a voz do pai – respondeu João de Adão olhando com
respeito. – O pai morreu pra mudar o destino da gente.
AMADO, Jorge. Capitães da areia. São Paulo, Companhia das Letras, 2008, p. 163.
Assinale a alternativa correta em relação à obra Capitães da areia, Jorge Amado, e ao Texto 4.