Texto
DE MAVIOSO ENCANTO
Eu vi um beija-flor.
De manhã reuni a família ao redor da mesa do café e disse: Gente, vou contar
uma coisa importante e vocês precisam acreditar em mim. Hoje, enquanto vocês
dormiam, vi um beija-flor no terraço.
[5] Foi assim. Era de madrugada e acordei chamada pela sede. Mas o dia me
pareceu tão novo que parei para olhar. E de repente, lá estava ele tecendo entre as
flores a rede de seus voos. Um beija-flor de verdade em 1972, um beija-flor vivo numa
cidade de 6 milhões de habitantes.
Ficaram pasmos. Mas me amavam e acreditaram em mim. Minha filha pediu que
[10] o descrevesse, pediu que o desenhasse e que o pintasse com todas as cores dos seus
lápis. Meu marido comoveu-se, eu era uma mulher que tinha visto um beija flor, e era
dele. Beijou-me na testa. As domésticas foram convocadas para participar da alegria,
mas, pessoas de pouca fé, se entreolharam descrentes. As amigas às quais
telefonamos me deram parabéns; afinal, eram amigas. A novidade habitou minha casa.
[15] A notícia correu. Verdade, Marina, que você viu um beija-flor? E eu modesta
mas banhada de graça, verdade. Ligaram do jornal. Alô, Marina, a que horas? Que cor?
De que tamanho? E você tem certeza? Alguém mais viu? Olha gente, não quero fazer
declarações. Sei que parece estranho, mas eu vi. A hora não sei bem, nem o tamanho,
não medi. Sei que era um beija-flor feito os de antigamente, com asas, bico, tudo. Um
[20] beija-flor de penas. Fotos”? não tenho, não falei com ele.
Vieram ver o terraço, mediram tudo, controlaram os ventos, aspiraram as flores.
E chegaram à conclusão de que não, não era possível, nenhum beija-flor havia estado
ali.
Colasanti, Marina. Crônicas para jovens. 1º ed. São Paulo: Global, 2012. pp.23 e 24.
Analise as proposições em relação à crônica De Mavioso Encanto, Marina Colasanti, ao Texto, e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa.
( ) Da leitura do período “Mas me amavam e acreditaram em mim” (linha 9), infere-se que os familiares, mesmo surpresos e duvidosos com a notícia, deixaram que o amor fosse mais forte que a dúvida.
( ) Em “Mas me amavam” (linha 9) e “Beijou-me na testa” (linha 12), quanto à colocação pronominal, têm-se próclise e ênclise, sequencialmente, porém, na segunda oração, o pronome pode estar também proclítico e, mesmo assim, mantém-se a língua culta e a correção gramatical.
( ) No período “Minha filha pediu que o descrevesse, pediu que o desenhasse e que o pintasse com todas as cores” (linhas 9 e 10) as palavras destacadas são, sequencialmente, na morfossintaxe, pronome pessoal/ objeto direto; pronome pessoal/objeto direto; pronome pessoal/objeto direto e artigo definido/adjunto adnominal.
( ) A estrutura “Sei que era um beija-flor feito os de antigamente” (linha 19) revela que o beija-flor, devido ao avanço da civilização, sofreu mutações e portanto diferente do beija flor conhecido em outra época.
( ) O verbo aspirar em “aspiraram as flores” (linha 21), quanto à regência, classifica-se como transitivo direto e o vocábulo flores, sintaticamente, é objeto direto. Substituindo- se o objeto direto pelo pronome pessoal oblíquo tem-se: aspiraram-nas.
Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.