Podemos argumentar que, após a mídia, o discurso educacional é o mais influente na sociedade, especialmente quando se refere à comunicação de crenças que não são normalmente transmitidas nas conversas cotidianas ou na mídia. Crianças, adolescentes e jovens adultos enfrentam, diariamente, por muitas horas, aulas e livros didáticos – os únicos livros que são leituras obrigatórias em nossa cultura. Isto é, não há instituição ou discurso comparável que é tão massivamente inculcado como o da escola.
A má notícia é que isso é também verdadeiro para as aulas sobre Eles – os grupos desfavorecidos. Discursos sobre imigrantes, refugiados, minorias e pessoas do Terceiro Mundo são frequentemente muito estereotipados e às vezes claramente preconceituosos. A boa notícia é que não há domínio ou instituição na sociedade em que discursos alternativos têm mais possibilidades de se desenvolver do que na escola.
Muitos estudos foram feitos sobre como as minorias e as pessoas do Terceiro Mundo são retratadas nos livros didáticos. Mesmo as simples análises de conteúdo têm repetidamente mostrado que esse retrato, pelo menos até muito recentemente, tende a ser preconceituoso e estereotipado. Muitos livros didáticos em vários países ocidentais são basicamente eurocêntricos: não somente nossa economia ou tecnologia, mas também nossos valores, nossas visões, nossas sociedades e nossas políticas são invariavelmente colocados como superiores. Eles continuam a repetir os estereótipos sobre minorias e sobre outros povos não europeus.
VAN DIJK, Teun A. Discurso e poder. São Paulo: Contexto, 2008. p. 148-149. (Adaptado).
São recursos linguísticos que permitem identificar a origem geograficocultural do autor: