BRASIL E ÁFRICA SUBSAARIANA: PARCERIA SUL-SUL PARA O CRESCIMENTO
[1] Atualmente, Brasil e África vêm restabelecendo ligações que poderão ter efeitos importantes sobre
[2] a prosperidade e o desenvolvimento de ambos. Na última década, a África tornou-se um continente de
[3] oportunidades, com tendências econômicas positivas e uma melhor governança.
[4] O crescimento de alguns países africanos, sua resistência às crises globais recentes e a
[5] implementação de reformas de políticas que fortaleceram os mercados e a governança democrática vêm
[6] expandindo o comércio e o investimento na região. Apesar dessa tendência positiva, muitos países
[7] africanos ainda enfrentam enormes gargalos de infraestrutura, são vulneráveis à mudança do clima e
[8] apresentam capacidade institucional deficiente. Consequentemente, a ajuda para o desenvolvimento
[9] continua sendo uma das principais fontes de apoio ao desenvolvimento em vários países do continente, de
[10] modo que a transferência e a troca de conhecimento ainda são necessidades prementes.
[11] A partir do final século XX, a África se tornou um dos principais temas da agenda externa do Brasil,
[12] que tem demonstrado um interesse cada vez maior em apoiar e participar do desenvolvimento de um
[13] continente que se encontra em rápida transformação. A intensificação do engajamento do Brasil com a
[14] África não somente demonstra a ambição geopolítica e o interesse econômico do Brasil: os fortes laços
[15] históricos e a afinidade com a África diferenciam o Brasil dos demais membros originais do BRICs grupo
[16] formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia e China e que incluiu depois a África do Sul].
[17] O crescimento econômico do Brasil, sua atuação crescente no cenário mundial, o sucesso
[18] alcançado com a redução da desigualdade social e a experiência de desenvolvimento oferecem lições
[19] importantes para os países africanos que, dessa forma, buscam cada vez mais a cooperação, assistência
[20] técnica e investimentos do Brasil. Ao mesmo tempo, multinacionais brasileiras, organizações não
[21] governamentais e diversos grupos sociais passaram a incluir a África em seus planos. Em outras palavras,
[22] a nova África coincide com o Brasil global.
[23] Complementando as fortes ligações históricas e culturais, a tecnologia brasileira parece ser de fácil
[24] adaptabilidade a muitos países africanos em razão das semelhanças geofísicas de solo e de clima. O
[25] sucesso recente do Brasil no plano social e econômico atraiu a atenção de muitos países de língua
[26] portuguesa com os quais o país possui ligações históricas.
[27] No que se refere à diplomacia, o Brasil mantém atualmente 37 embaixadas na África, comparado a
[28] 17 em 2002, um incremento correspondido pelo aumento do número de embaixadas africanas no Brasil:
[29] desde 2003, 17 embaixadas foram abertas em Brasília, somando-se às 16 já existentes, o que representa a
[30] maior concentração de embaixadas no Hemisfério Sul.
[31] Os países da África Subsaariana solicitam cooperação com o Brasil em cinco áreas principais:
[32] agricultura tropical; medicina tropical; ensino técnico (em apoio ao setor industrial); energia; e proteção
[33] social (figura ES.2). (Áreas de interesse relativamente menor incluem ensino superior, esportes e ação
[34] afirmativa.).
[35] No que se refere à agricultura, a Empresa de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), em parceria com
[36] várias outras instituições brasileiras de pesquisa, atua com parceiros locais na implementação de projetos
[37] modelo em agricultura com o objetivo de reproduzir o sucesso alcançado no cerrado brasileiro – semelhante
[38] a alguns solos africanos − e aprimorar o desenvolvimento agrícola e o agronegócio na África.
[39] Investimentos do setor privado brasileiro na África tiveram início nos anos 1980 e chegaram a tal
[40] ponto que atualmente as empresas brasileiras atuam em quase todas as regiões do continente, com
[41] atividades concentradas nas áreas de infraestrutura, energia e mineração. A presença do Brasil chama a
[42] atenção devido à forma como as empresas brasileiras realizam seus negócios; elas tendem a contratar mão
[43] de obra local para seus projetos, favorecendo o desenvolvimento de capacidades locais, o que acaba por
[44] elevar a qualidade dos serviços e produtos. Dado o ambiente de negócios favorável aos investimentos
[45] brasileiros na África, a Agência Brasileira de Exportação vem fomentando a presença de pequenas e
[46] médias empresas no continente, por meio de feiras de negócios, por exemplo. As tendências analisadas em
[47] estudos internacionais indicam que o Brasil e a África desenvolvem, em conjunto, um modelo de relações
[48] Sul-Sul que pode ajudar a reunir os dois lados do Atlântico.
[49] Embora as relações entre o Brasil e a África tenham se intensificado muito na última década, ainda
[50] existem desafios consideráveis. Em particular, existe um desconhecimento nos dois lados do Atlântico. A
[51] maioria dos brasileiros possui conhecimento limitado e normalmente desatualizado sobre a África; as
[52] poucas informações que têm, muitas vezes, se limitam a Angola, Moçambique e, às vezes, à África do Sul.
[53] A burocracia de ambos os lados atrasa o comércio marítimo que chega a levar 80 dias, em vez de 10. O
[54] Banco Mundial poderia contribuir para a superação desses obstáculos, de modo a favorecer a ampliação do
[55] relacionamento entre a África e o Brasil e trazer benefícios adicionais para todos.
BANCO MUNDIAL/IPEA. Ponte sobre o Atlântico. Brasil e África Subsaariana: parceria Sul-Sul para o crescimento. Brasília: [s.n.], 2011. p. 1-8. (Adaptado).
Comparando-se a figura ES.2 com o restante do texto, percebe-se que: