– Sou playboy! – dizia Pardalzinho a todos que comentavam sua nova indumentária. Tatuou no braço um enorme dragão soltando labaredas amarelas e vermelhas pelo focinho, o cabelo ligeiramente crespo foi encaracolado por Mosca. Sentia-se agora definitivamente rico, pois se vestia como eles. O cocota pediu a Mosca que comprasse uma bicicleta Caloi 10 para que pudesse ir à praia todas as manhãs. Rico também anda de bicicleta. Iria frequentar a praia do Pepino assim que aprendesse o palavreado deles. Na moral, na moral, na vida tudo é uma questão de linguagem. Alguns bandidos tentaram fazer chacota do seu novo visual. O traficante meteu a mão no revólver dizendo que não tinha cara de palhaço. Até mesmo Miúdo prendeu o riso quando o viu dentro daquela roupa de garotão da Zona Sul.
(LINS, P. Cidade de Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.261.)
A partir da leitura desse trecho, considere as afirmativas a seguir.
I. Pardalzinho, apesar de ter dinheiro e roupas de ricos e sentir-se como rico, ainda precisava adequar sua linguagem ao padrão desejado.
II. Roupas, dinheiro, tatuagem e cabelo encaracolado eram suficientes para Pardalzinho sentir-se incluído no “mundo dos ricos”.
III. Pardalzinho sentia-se como palhaço, mas não admitia que rissem dele.
IV. Pardalzinho tatuou o dragão soltando labaredas amarelas e vermelhas pelo focinho e encaracolou os cabelos porque achou que, assim, ficaria parecido com os ricos.
Assinale a alternativa correta.