Uma das propriedades do narrador é, por meio das falas dos personagens, revelar determinada visão de mundo. Leia os fragmentos, sob essa perspectiva, para responder à questão.
I)
Ultimamente, sem saber como, (Pedro) havia perdido, um a um, os seus lápis de cor, só lhe restando agora, com uma velha caixa vazia [...], a saudade das horas que passava à mesa da varanda desenhando e pintando, com a Mãe Lourença [...], e que por vezes exclamava, envaidecida:
− Este Pedro tem cada estrepolia!
E ela própria, na mesma voz mansa, o advertiu:
− Mas não é para isso que teu avô te quer. Pela vontade dele, tens de ser barqueiro, como ele, como teu pai, como teu avô. Toda a tua família se fez no mar.
II)
– O senhor devia por o seu rapaz na Marinha Mercante – sugeriu Clementino, descansando mais o corpo na borda do balaústre – Tem mais futuro. Conheço muita gente que tem feito carreira por lá. [...] Hoje a rapaziada quer viver num meio maior. E vamos e venhamos, não deixa de ter as suas razões. Nada como um meio grande. Vive-se a gosto, com mais conforto. [...]
Mestre Severino, semblante encrespado, cortou a conversa:
− Guarde os seus conselhos. Já vivi mais que o senhor, tenho também minhas ideias. Se quer ir num barco a motor, ainda está em tempo de saltar. Não me faz falta.
MONTELLO, J. Cais da Sagração. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
Da fala de Lourença e de Mestre Severino, pode-se deduzir que há defesa de ideias que comportam