Normalmente numa discussão em grupo, de amigos ou mesmo entre pessoas de classe e de cultura diferentes, ao tratar de um assunto polêmico, é fácil e também legítimo observar que cada pessoa manifesta opinião própria em razão de sua formação, classe social, educação e cultura. Tal como na situação a seguir:
No leito de morte, Ribeiro, um ateu convicto, recebe o amigo Leonardo, um cristão autêntico para uma última conversa.
Leonardo: – você não será recebido por Deus Pai, mas Mãe!
Ribeiro: – Será uma deusa! Leonardo: – Sim, e, por sua demora, terá muitos afagos e muita festa!
Ribeiro: – Muita farra pelo visto... ah, como eu gostaria que fosse verdade!... invejo você por ter fé... eu não tenho.
Leonardo: – não importa a fé, mas o amor. E toda sua vida é um ato de amor; aos famintos, às crianças abandonadas, aos índios marginalizados, aos negros, às mulheres oprimidas...
Ribeiro: – Continuo não acreditando, mas gosto de farra.
Em situações como a descrita acima, parece que a discussão não chega a um acordo, o da aceitação de uma vida pós-morte com os divinos conforme as tradições religiosas nos expõem. Porém, nem sempre esse acordo é possível, sobretudo quando temos posições diferentes e as radicalizamos.
A impossibilidade de acordo, do ponto de vista filosófico, ocorre, sobretudo, quando se está diante de um