TEXTO:
A história do Brasil é pop
História é o nosso cotidiano. Nós somos eles do
ontem, do hoje e do amanhã. Nada além disso. Mentir,
alterar ou deturpar fatos é bobagem, porque nem o Poder
consegue impor suas versões. Stalin, precursor do
[5] fotoshopping, fotografava com o colega, prendia o colega
e mandava apagar o colega na vida real e na foto. A
História tem recuperado tudo.
Os historiadores que escreveram o Brasil desde
os primeiros momentos pós-invasão enfrentaram
[10] problemas enormes para ser fiéis aos fatos. Capítulos
da História Colonial de Capistrano de Abreu, 1907, é a
primeira obra brasileira que dá a tupis e africanos o
protagonismo que Portugal queria apenas para si. Mas
os historiadores, a maioria deles, não fizeram mal à
[15] História do Brasil. A História foi decantada por alguns
em frascos de coragem pessoal, com louvor. Luiz
Henrique Dias Tavares, autor de A História da Bahia,foi
preso há pouco tempo, em 1969, quando viabilizou a
impressão da obra completa de Gregório de Mattos com
[20] todos os deliciosos insultos e sacanagens ocultados
até então pelo sistema.
Já os livros didáticos falsearam a história a serviço
da política contratante. A história chata, decorada e
esquecida. Laurentino Gomes e Eduardo Bueno vêm
[25] recontando a história brasileira com escrita pop,
engraçada, criativa, como é de sua essência. 1808
contou a abertura dos portos aos forasteiros, e 1822 —
delícia de livro!!! — esclarece com todos os is os pontos
da independência brasileira, passando pela usurpação
[30] do nome de batismo Dois de Julho ao aeroporto de
Salvador, citando os personagens contemporâneos
Canô, Consuelo Pondé, Luiz Henrique, Luiz Mott, sem
equívocos além do preço. É essa a história que as
escolas públicas brasileiras precisam adotar.
[35] A ideia era comentar 1822, que estou lendo, e Tropa
de Elite 2, que tentei assistir e, graças aos orixás, não
consegui. Até o meio-dia de sexta, segundo Ancelmo
Gois, Padilha e Wagner Moura ultrapassaram todos os
peles-vermelhas do cinemascope, e a expectativa é que
[40] abatam, logo, o recorde de Dona Flor e Seus Dois
Maridos (1979). Com um baiano no meio do caminho.
Franco, Aninha. A história do Brasil é pop. Revista Muito, Salvador, #134, 24 out. 2010. p. 40. Revista semanal do grupo A TARDE.
A alternativa em que o fragmento destacado apresenta marca linguística menos formal, própria da linguagem oral, é a