TEXTO VI
ADORMECIDA
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
[5] 'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
[10] Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
lam na face trêmulos — beijá-la.
Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
[15] Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
[20] Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
P'ra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...
[25] Eu, fitando a cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
“Ó flor! — tu és a virgem das campinas!
“Virgem! — tu és a flor da minha vida!...”
CASTRO ALVES. Espumas flutuantes. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986. p. 124-125.
TEXTO VII
o amor, esse sufoco
agora há pouco era muito,
agora, apenas um sopro
ah, troço de louco,
corações trocando rosas,
e SOCOS.
LEMINSKI, Paulo. Melhores poemas. São Paulo: Global, 1996. p.119.
Os poemas de Castro Alves e Paulo Leminski exemplificam diferenças entre as estéticas romântica e contemporânea. Nas alternativas a seguir, apresentam-se oposições, em que a primeira afirmativa se refere ao Texto VI e a segunda ao Texto VII.
Assinale a única alternativa inteiramente correta.