TEXTO
Sinha Vitória
Sinha Vitória tinha amanhecido nos seus azeites. Fora de propósito, dissera ao marido umas
inconveniências a respeito da cama de varas. Fabiano, que não esperava semelhante desatino, apenas grunhira:
— “Hum! hum!” E amunhecara, porque realmente mulher é bicho difícil de entender, deitara-se na rede e pegara
no sono. Sinha Vitória andara para cima e para baixo, procurando em que desabafar. Como achasse tudo em
[5] ordem, queixara-se da vida. E agora vingava-se em Baleia, dando-lhe um pontapé.
Avizinhou-se da janela baixa da cozinha, viu os meninos entretidos no barreiro, sujos de lama, fabricando
bois de barro, que secavam ao sol, sob o pé-de-turco, e não encontrou motivo para repreendê-los. Pensou de
novo na cama de varas e mentalmente xingou Fabiano. Dormiam naquilo, tinha-se acostumado, mas seria
mais agradável dormirem numa cama de lastro de couro, como outras pessoas.
[10] Fazia mais de um ano que falava nisso ao marido. Fabiano a princípio concordara com ela, mastigara
cálculos, tudo errado. Tanto para o couro, tanto para a armação. Bem. Poderiam adquirir o móvel necessário
economizando na roupa e no querosene. Sinha Vitória respondera que isso era impossível, porque eles vestiam
mal, as crianças andavam nuas, e recolhiam-se todos ao anoitecer. Para bem dizer, não se acendiam candeeiros
na casa.
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro; São Paulo: Record; Martins, 1975. p. 42-43.
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