TEXTO I
Faça uma dieta de leituras
Passar o dia inteiro nas redes sociais é tão saudável quanto viver à base de fast food
Houve um tempo em que os
pessimistas diziam que
passaríamos o dia inteiro
assistindo à televisão e não leríamos
mais nada. Estavam errados.
Ironicamente, nunca lemos tanto
quanto hoje, nos celulares, tablets e
na tela do computador. E, infelizmente,
nunca lemos tão mal.
Nutricionistas costumam organizar
os tipos de alimentos numa
pirâmide. Na base estão os cereais,
verduras e frutas que precisamos
comer várias vezes ao dia. O meio é
reservado às carnes magras e derivados
do leite, que devemos comer
com moderação. No topo, tudo aquilo
que devemos evitar no dia a dia, como
doces e carnes gordurosas.
Poderíamos fazer um gráfico
semelhante com as leituras. Na base
estariam os livros. No topo, as discussões
vazias nas redes sociais. No
meio ficariam os artigos e as reportagens,
online e offline. Alguns podem
ser tão enriquecedores quanto um
livro; outros, tão superficiais quanto
uma foto de um gato no Facebook.
Não é preciso levar o exercício
mental muito adiante para perceber
que nossa dieta anda péssima. [...].
Por acreditar que os livros exigem
concentração e silêncio, preferimos
nos distrair com textos irrelevantes o
dia inteiro e deixar as leituras sérias
para o dia seguinte ou para mais tarde,
quando já estamos cansados de
ler bobagens e mal aguentamos manter
os olhos abertos. É como se tivéssemos
um banquete à nossa disposição,
mas nos entupíssemos de balas
e cachorros-quentes antes de sentar à
mesa.
O primeiro passo para mudar
a nossa dieta de leituras é reconhecer
que aproveitamos muito mal nosso
tempo. Vale repetir a pergunta proposta
pelo escritor suíço Rolf Dobelli
em seu livro "A arte de pensar claramente":
de todas as notícias e posts
em redes sociais que você leu no
último ano, quantos realmente fizeram
a diferença na sua vida? Minha
resposta foi alarmante: apenas dois
ou três posts em blogs e, com sorte,
meia dúzia de reportagens. Nenhum
post em redes sociais. Nada que justifique
as dezenas de horas que dedico
a essas leituras semanalmente.
Quanto aos livros, lembro de todos os
que li durante o período. Mesmo os
que não gostei de ler me ensinaram
algo. Era hora de mudar meus
hábitos.
VENTICINQUE, D. Época. 11. fev. 2014. Disponível em: http://epoca.globo.com. Acesso em: 25 ago. 2015. (Adaptado)
Com relação às ideias e às estratégias argumentativas, assinale V (verdadeira) ou F (falsa) em cada afirmativa a seguir.
( ) No Texto 1, o título implica um apelo para que o leitor diminua a quantidade de leituras em seu dia a dia, à semelhança de quem reduz a ingestão de alimentos para viver com mais saúde.
( ) No subtítulo do Texto 1, o termo “quanto”, combinado a “tão”, estabelece uma relação de equivalência entre passar nas redes sociais e viver à base de fast food, ideia que, associada ao atributo “saudável”, indica ironia da declaração.
( ) Passar o dia inteiro assistindo à televisão e não ler mais nada constitui um relato atribuído à voz dos pessimistas, dentre os quais o autor do Texto 1 não se inclui.
( ) Um estratégia argumentativa usada no Texto 1 é a analogia entre uma pirâmide dos tipos de alimentos e umgráfico com os tipos de leitura, o qual está adequadamente representado no Texto 2, relacionado à tese de que se deve priorizar a leitura de livros.
A sequência correta é