Denúncias de um tipo específico de má conduta – a apropriação indevida de ideias, dados e trabalho intelectual de estudantes e de jovens pesquisadores por seus orientadores ou chefes – desencadearam uma mobilização na comunidade científica da Dinamarca para mudar regras de gestão de financiamento de pesquisa no país. Uma petição com mais de 2 mil assinaturas defende uma reforma na legislação que rege as universidades.
De acordo com os signatários, a hierarquia rígida estabelecida pela Lei das Universidades, de 2003, a disputa por recursos de pesquisa e as normas de promoção na carreira que valorizam a publicação de um grande volume de artigos estão na raiz dos casos de má conduta em evidência no país, como a apropriação de ideias sem dar créditos a seus criadores ou ainda a inclusão, no rol de autores de artigos produzidos por estudantes e jovens doutores, de pessoas que não contribuíram para o seu conteúdo.
Heine Andersen, sociólogo, professor emérito da Universidade de Copenhague e um dos artífices da petição, avalia que alunos de doutorado, estagiários de pós-doutorado e funcionários temporários, que respondem por dois terços da força de pesquisa das universidades, formam o grupo mais vulnerável a abusos perpetrados por orientadores e superiores hierárquicos.
MARQUES, Fabrício. “Por favor, não roube o meu trabalho”. Pesquisa Fapesp, São Paulo, FAPESP, ano 23, n. 318, p. 90-91, ago. 2022. (Fragmento adaptado)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que o título da matéria “Por favor, não roube o meu trabalho” expressa, dentre outras coisas, a