O engenheiro de materiais Edgar Dutra Zanotto gosta de citar um artigo científico para mostrar como os vidros são importantes. “Vidros são os olhos da ciência”, afirma, traduzindo o título do paper Glass: The eye of science. A tese é do norte-americano Marvin Bolt, curador de Ciência e Tecnologia do Museu de Vidro de Corning, cidade do estado norte-americano de Nova York. Em texto de fevereiro de 2017, escrito para o periódico International Journal of Applied Glass Science, Bolt advoga que a revolução científica iniciada no século XVII teve como ferramentas mais importantes o microscópio e o telescópio — sendo o elemento principal dos dois instrumentos as lentes de vidro. Em entrevista para a revista Pesquisa FAPESP, o engenheiro Edgar Zanotto relatou que seu interesse por vidros nasceu de um estudo experimental sobre a durabilidade química de vidros candidatos ao encapsulamento de resíduos radioativos. O objetivo era coletar rejeitos de usinas nucleares, adicionar reagentes, fundir tudo e resfriar rapidamente, formando-se um “vidrão”. O monólito resultante ficaria compacto e impermeável e seria enterrado em uma mina de carvão abandonada, a muitos metros abaixo do solo, mas bem separado do ambiente superficial, encapsulado, sem contaminar a atmosfera e o lençol freático.
Internet: revistapesquisa.fapesp.br (com adaptações).
Entre os rejeitos radioativos provenientes de usinas nucleares se incluem o estrôncio-90 e o criptônio-85, cujas equações de decaimento beta são mostradas a seguir.
Com base nas informações apresentadas, julgue o item.
O estrôncio-90 e o criptônio-85, além do decaimento beta, também emitem radiação gama, uma vez que, em todo processo de decaimento radioativo natural, ocorre emissão desses dois tipos de radiação eletromagnética.