TEXTO:
Na cidade não existem mais galos.
Avacalhada, a manhã surge
— oceano de pano a estraçalhar-se
entre a pressa dos homens e o ruído
[5] de uma história feroz a triturá-los.
Na cidade não existem mais galos.
O homem, agora, ele próprio é quem cisca
no sangue que escorre entre as notícias
a madrugada caída nos imaginários da luz.
[10] No grito das coisas uma certa aurora
continua, no entanto, a ser anunciada
Porque a fome e os dentes crescem
na casa e na boca dos que trabalham.
De noite todos os gatos são pardos.
[15] De dia todas as alegrias são gatos
em cujo pelo a luz do sol brinca
provisoriamente.
FÉLIX, Moacyr. Sem galos, a aurora. Em nome da vida. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981. v. 3, p. 41. (Coleção Poesia Sempre).
De acordo com o poema, marque com V as afirmações corretas e com F, as falsas.
( ) O homem é vítima de um mundo marcado pelo ritmo opressor da vida.
( ) O natural — na sociedade contemporânea urbana — é substituído pelo cultural.
( ) O ser humano, em qualquer tempo e lugar, mostra-se insatisfeito com sua situação social.
( ) O homem, mesmo vivenciando uma realidade adversa, não se deixa vencer pela desesperança.
( ) A ausência de “galos” denuncia a impossibilidade de alteração da ordem político-social vigente na realidade em foco.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a