Texto
Humanizando a Relação Médico-Paciente
Muito se tem falado e escrito sobre a relação médico e paciente, e não é o nosso intuito repetir o que já se sabe. Sim é preciso dizer que, pelo comum do tema – mais um modismo - é preciso uma sistemática própria, para fugir do lugar comum que leva a parte nenhuma, e acaba no lamento estéril.
Talvez o primeiro passo na humanização deste relacionamento – que é difícil imaginar como não sendo humano- é o interesse real do médico. Um interesse que deve levá-lo a saber entrar no mundo do paciente, a entender o que a doença representa para o paciente. Aqui entra a distinção importantíssima entre a doença – aquilo que os médicos estudamos - e o estar doente - a vivência da doença por parte do paciente. A sutil distinção que o português nos traz entre doença e enfermidade é sublinhada no inglês quando se distingue “disease”, (doença) de “illness” (estar doente, enfermidade). Se o médico não atinge o mundo do paciente, lidará apenas com uma doença, mas não chegará ao paciente, que é onde a doença realmente existe, personalizada em alguém. Esta compreensão do fenômeno da doença exige do médico uma metodologia que requer novos paradigmas de abordagem do paciente.
O paciente sabe distinguir se o médico consegue chegar ao mundo dele, se está realmente fazendo um esforço por ver a doença do ponto de vista do paciente. E o julgamento do paciente é certeiro e implacável. Dizia Osler que mais importante que aquilo que o médico faz é o que o paciente pensa que o médico faz. Pode ser um argumento subjetivo, aparentemente pouco científico, mas é o que, no fim, acaba regendo esta relação que pretendemos humanizar.
Um estudioso do tema do relacionamento afirma que a experiência da doença nos reduz a uma dependência de criança. Necessitamos ser cuidados, e de alguém que nos tire a dor da doença e a dor que a incerteza – o que vai ser de mim - provoca. O homem doente requer uma explicação da dor que lhe lembra sua condição mortal. A medicina atual delega responsabilidades, distribui trabalhos, procura eficácia. Entram em jogo equipes, normas e códigos, cuja efetividade ninguém questiona, mas, quando mal conduzidas, são uma verdadeira ameaça para o relacionamento pessoal com o paciente. O que o médico não pode é delegar uma função que cabe a ele, e na qual o paciente faz questão de apostar, representada pela atitude do paciente. Atitude de confiança perante a qual o médico deve responder à altura. Em frase conhecida, uma confiança perante uma consciência, representando o núcleo da relação médico paciente.
Este mesmo autor que analisa o desaparecimento do médico pessoal conclui que conhecer a pessoa que tem a doença é pelo menos tão importante como conhecer a doença que tem aquela pessoa. E, como o paciente é um bom diagnosticador do relacionamento com o seu médico, sabe-se mais seguro com um médico sábio do que com um médico treinado artificialmente. Sabedoria, pois, que é conhecer a pessoa para nela investigar a doença, aspecto essencial neste relacionamento que se deseja humanizar. (...)
Humanizar o relacionamento é obrigação do médico. Requer preparar o espírito, limpando o ânimo de distrações, para dedicarse ao paciente que está diante dele, e saber pensar em algo óbvio, mas que, por vezes, se esquece na rotina metodológica do pesquisador. “Por que ele está aqui, na minha frente? O que espera de mim?”. Esta simples frase, que coloca o centro do relacionamento no paciente, pode ser um bom lembrete com força humanizante. (...)
(Pablo González Blasco - http://hottopos.com/notand9/pablo.htm)
Todo gênero textual apresenta uma intenção sociocomunicativa: narrar, descrever, argumentar, explicar, instruir.
De acordo com o objetivo comunicativo e as sequências composicionais, o texto caracteriza-se como predominantemente: