Leia o texto de Geir Campos para responder à questão.
Desde sempre, em todos os tempos e lugares, teóricos e praticantes têm dito o que pensam da tradução, do que ela é ou do que deveria ser. São opiniões que em muitos casos se contradizem, se desdizem, não só no acessório como no essencial; contradições que enfim não bastam para impedir que os tradutores continuem a fazer o seu trabalho, com a sua prática muitas vezes desmentindo a teoria.
Há quem diga, como o alemão Herder, que o melhor dos tradutores há de ser o melhor dos explicadores; diametralmente oposta é a opinião do americano Vázquez-Ayora, para quem traduzir não é explicar nem comentar coisa alguma. O fato é que, como dizem, não há povo tão isolado que possa dispensar os serviços da tradução. E as traduções afinal estão aí mesmo, pondo em xeque as afirmações de quem diz que tradução é impossível, que tradução não existe, coisas assim...
Pode-se comparar a tradução ao voo do besouro. O besouro é um animal que tem tudo para não poder voar: o corpo é rombudo, as patas não se recolhem, as asas são enfiadas num estojo de cascas duras... mas, apesar de todos os pesares, o besouro voa e muito. Com o tradutor dá-se a mesma coisa: cada texto é um complexo de obstáculos e dificuldades aparentemente intransponíveis, linguísticas e não linguísticas; entender o que o autor disse e o que ele quis dizer, na língua dele, é difícil; dizer na língua da gente o que se entendeu na língua do original, não é fácil... mas o tradutor traduz e muito. E quanto mais difícil parece um texto, maior é o número de tradutores que se candidatam.
(O que é tradução, 2004. Adaptado.)
As diferentes definições de tradução