Texto
Oração do rio São Francisco em tempos de poucos rios
Onde houver a dúvida dos que fraquejam, que eu leve a fé
dos que constroem seu tempo. Na adversidade, meio ao
deserto e ao clima árido, a fé dos que colhem uvas e mangas
em minhas margens. Dos que colhem arroz em minhas
[5] várzeas, dos que criam peixes com minhas águas em açudes
feitos. A fé dos xocós lá em Poço Redondo. A fé que cria
cabras nos Escuriais. Dos que colhem cajus e criam gado em
Barreiras e outros cafundós.
Onde houver o erro dos governantes que eu leve a verdade de
[10] Canudos. O bom senso dos conselheiros de encontro à
insanidade dos totalitários. Os canhões abrindo fendas na
cidade sitiada e a verdade expondo cada vez mais a ferida da
loucura na caricatura da História. O confisco da poupança e o
rombo na previdência. O fim da inflação e o pão escasso, o
[15] emprego rarefeito, a dignidade estuprada em cada lar de
nordestinos.
Onde houver a tristeza dos solitários que eu leve a alegria das
festas de São João. Solitário eu banho muitas terras e em
todas, das Gerais, do Pernambuco, das Alagoas e do Sergipe,
[20] não há tristeza ao pé da fogueira, nas núpcias entre a
concertina e o repente, entre a catira e o baião. Das festas do
Divino ao Maior São João do Mundo, deixai-me levar, Senhor
o sabor de minhas águas juninas e seus fogos de artifícios.
(http://adercego.blogsome.com/2006/12/04/oracao-do-rio-sao-francisco-emtempos-de-poucos-rios - Acesso em 15/05/08 às 14h)
Considerando o 2º fragmento do Texto, é correto afirmar que