Frases que fisgam e aberturas sedutoras ou por que os romances têm as primeiras páginas
Já observou as pessoas na livraria? Elas pegam o livro de uma estante, leem a capa, depois a quarta capa, depois as páginas de elogios (aquelas poucas só com elogios solicitados), e então... o quê? Você sabe essa. Dificilmente vi alguém pular para o meio do capítulo vinte e três. Portanto, é melhor que aquela página diga a que veio. Caso contrário, o livro volta para a estante. Você não pode ler todos eles.
Precisamos das primeiras páginas – e os romancistas também precisam. Desde o cabeçalho, o romance começa a exercer sua magia sobre os leitores. Talvez mais notavelmente, os leitores também começam a exercer a magia deles sobre o romance. O começo de um romance é de modo diferente a negociação de um contrato social um convite para dançar uma lista de regras do jogo e uma sedução bastante complexa. Eu sei eu sei – sedução? Parece extremo não é?
Mas é isso o que acontece no começo de um romance. Estão nos pedindo para comprometer uma boa parte do nosso tempo e energia em uma iniciativa com muito pouca garantia quanto ao que ela tem pra nós. É aí que entra a sedução. E ela quer nos dizer o que acha importante, tanto que mal pode esperar pra começar. Talvez mais importante, quer que fiquemos envolvidos. Quando acabar, podemos nos sentir cortejados, adorados, apreciados, ou abusados, mas será sempre um caso para lembrar. A abertura de um romance é um convite para entrar e jogar. [...] (adaptado)
FOSTER, Thomas C. Para ler romances como um especialista. Trad. de Maria José Silveira. São Paulo: Lua de Papel, 2011. p. 13.
Na oração “Precisamos das primeiras páginas.”, o trecho grifado em negrito é