Por si só, o número já preocupa: 461 mil alunos abandonaram o ensino médio só em 2018, correspondendo a mais da metade das 912,5 mil crianças e adolescentes que desistiram de concluir o nível básico (fundamental mais médio), de acordo com estudo da Unicef e Instituto Claro. Entretanto, apesar do aumento de 12% dos concluintes entre 2012 e 2018, a evasão no ensino médio está em queda lenta, bem distante do avanço conquistado com a universalização das matrículas no primeiro ano do fundamental, conforme registra a Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio Contínua (Pnad), divulgada pelo IBGE em julho último. Isso, apesar do efeito danoso do abandono na empregabilidade, visto que ensino médio concluído é, hoje, um dos requisitos básicos na contratação para vagas formais.
O pior é que os efeitos da baixa escolaridade continuam a se manifestar a longo prazo, pois pessoas com ensino básico incompleto recebem remuneração de 20% a 25% inferior à dos colegas diplomados. Há, ainda, outros prejuízos para o país, como o reflexo na qualidade da mão de obra e a perda estimada acima de R370milporna~oconcluinte,somandomaisdeR 214 bilhões ao ano, segundo o estudo do Insper.
O tamanho do problema indica que a solução só virá com a cooperação de governo, empresas e terceiro setor e só ganhará rapidez com a utilização de instrumentos já existentes e testados. É o caso da Lei da Aprendizagem (nº 10.097/2000), que, nos 20 anos de vigência, comprovou eficácia na formação de jovens para o mercado de trabalho, assegurando proteção legal, renda sustentável e condições para que o jovem permaneça na escola.
Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/ opiniao/2020/08/4872181-aprendizagem-contra-a-evasaoescolar.html. Acesso em: 12 abr. 2022.
No artigo de opinião em análise, observa-se que o termo grifado exerce função