Pedro, 42 anos, um técnico que subsiste economicamente consertando aparelho de televisão. Sua oficina funciona em um box de um mercado público nesta capital. Trabalha de sol a sol. Aprendeu seu ofício com o pai, já falecido, e hoje tem uma qualidade de vida compatível com sua renda. Pedro é pardo. Mora em uma favela (comunidade), com mulher e dois filhos menores. Se desloca sobre uma motocicleta que possui. Nos círculos da estratificação social, Pedro está bem abaixo da denominada classe média. Bem de saúde, por enquanto não corre o risco de bater às portas de um hospital público. Plano de saúde, nem pensar. De temperamento pacífico, Pedro nasceu, cresceu e constituiu família em ambiente impróprio para ascensão social. Enfim, Pedro é um ser economicamente ativo, híbrido, produto de uma miríade das complexas relações de produção que existem no país. Faz parte de uma imensa maioria que ocupa um espaço considerável na denominada economia informal. Pedro tem um ofício pra chamar de seu. Esse exemplo contrasta com o bordão quem vem sendo divulgado na mídia e redes sociais, segundo o qual devemos intensificar a luta contra as desigualdades sociais, sem, no entanto, apontar soluções.
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Alardear uma luta contra as desigualdades não pode omitir a barbárie contemporânea do racismo, que continua firme e forte, mas agora com outro verniz. Apesar de ter havido algum progresso nessa luta heroica contra a discriminação racial, estamos muito longe de alcançar uma condição socioeconômica satisfatória para os homens de cor; a começar pelo acesso à educação superior. A digna comunidade negra já ultrapassou vários obstáculos antes considerados fora do seu alcance. A luta está apenas começando. Contudo, sem o acesso pleno à educação e à cultura, o rumo da história não muda.
Disponível em: https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/opiniao/2022/02/a-metafora-da-desigualdade-social.html. Acesso em: 12 abr. 2022 (adaptado).
Para construir a argumentação de seu texto, o articulista utilizou uma estratégia de