Sobre o poema a seguir, sobre seu autor e sobre o Romantismo, assinale o que for correto.
Minha desgraça
Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta,
Tratar-me como trata-se um boneco...
Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro...
Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem m’o dera!) é o dinheiro...
Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que o meu peito assim blasfema,
É ter para escrever todo um poema
E não ter um vintém para uma vela.
AZEVEDO, A. de. Melhores poemas. 6 ed. São Pulo: Global, 2003. p. 83.
01) O eu lírico confidencia para a “cândida donzela” o motivo da sua “desgraça”, que consiste no fato de não ter inspiração para escrever um poema. E, embora sua musa seja um “anjo de Deus”, seu amor não tem eco, e ela o trata como “um boneco”. 02) Trata-se de um poema condoreiro que busca resgatar o passado histórico brasileiro por meio da denúncia de uma sociedade opressora na qual impera a desigualdade: “andar de cotovelos rotos, / Ter duro como pedra o travesseiro...”. O eu lírico defende a criação de uma nova civilização.
04) Principal representante do ultrarromantismo no Brasil, Álvares de Azevedo cultivou uma poesia marcada pelo pessimismo, pela subjetividade, pelo exagero, e chegou ao endeusamento do eu.
08) A idealização da mulher, uma das marcas da escola romântica, é apresentada nas palavras que compõem o vocativo “ó cândida donzela”. O soneto, cuja métrica é heptassilábica (redondilha maior), apresenta, ainda, versos brancos: “O que faz que o meu peito assim blasfema, / É ter para escrever todo um poema”.
16) A segunda geração do Romantismo brasileiro, também denominada byroniana ou do mal do século, primou pela temática da solidão, pela melancolia, pelo sofrimento, levando o eu lírico à evasão da realidade.