O trecho a seguir, extraído do Capítulo I, do livro Verão no Aquário, de Lygia Fagundes Teles, traz, pela recordação da personagem Raíza, um diálogo entre a professora de piano e uma outra senhora. Leia-o para responder à questão.
“[...] Adiante, ficava a saleta de minha mãe, aquela mãe silenciosa, sempre vestida de branco, uns vestidos tão
leves que me faziam pensar na história da sereiazinha que se transformara em espuma. [...] Eu podia estender-
me no chão e ali ficar desenhando nas folhas que ela me atirasse, pena não saber o que era esfinge para então
desenhar uma e seria esse o retrato de minha mãe. “É uma esfinge!”, disse dona Leonora à mulher dos tricôs.
[5] “Esfinge?...”, repetiu a mulherzinha parando as agulhas no ar. “E o marido?” [...] “É um farmacêutico fracassado,
bebe demais, você não sabia? Está sempre escondido no sótão em companhia do irmão, um tipo meio louco
que vive cortando coisas, a família inteira é esquisitíssima. Esquisitíssima! A mãe ainda é a única que me inspira
confiança, diz que é escritora...” [...] “Mas escreve o quê?”. E dona Leonora, batendo impaciente com o leque no
piano para marcar o compasso: “Quem é que sabe? A mulher é uma esfinge.[..]”
TELES, L. G. Verão no Aquário. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
Há um juízo positivo acerca da mãe da Raíza.
Esse julgamento, entretanto, é maculado por um certo ceticismo revelado na seguinte expressão: