No ano de 1934, Raquel de Queiroz publica o romance As três Marias, cuja protagonista é Maria Augusta, Guta, que faz os seguintes relatos: “Nesta nova fase comecei a ler como adolescente [...] os livros que falassem de amor, os eternos e róseos romancinhos franceses, em que homens cheios de espírito e de tédio [...] se apaixonam pelas ingênuas de dezesseis anos”. [...] Mas naquela idade curiosa, só interessa e comove o postiço, o artificial”, numa sutil referência (no contexto de produção da obra) a impressos dirigidos especialmente ao público feminino, veiculados pela indústria cultural (FHILADELFIO, 2003). A própria protagonista até estabelece a distância entre esse tipo de leitura e outro que, ao desnudar o real, "choca, escandaliza, mostra coisas que a gente não quer ver". Tanto que, ao ler o clássico Nada de novo no front (1929), de Erich Maria Remarque, sua reação é negativa, como a insinuar um desejo de reescrever a história narrada: "A guerra só a compreendíamos com heróis esbeltos [...] voltando, levemente mutilados e cobertos de medalhas, para os braços da amada".
(Fontes: FHILADELFIO, Joana Alves. Literatura, indústria cultural e formação humana. Outros Tema. Cad. Pesqui., 120, nov. 2003. QUEIROZ, Raquel de. As três Marias. 19. ed. São Paulo: Siciliano, 1992. p. 24-25)
Considerando que Guta é uma jovem interessada por leitura, mas que prefere consumir um tipo específico de literatura para não enxergar “coisas que não quer ver” e, por consequência, deixa entrever um desejo implícito de alterar enredos, perfis de personagens ou desfechos de histórias, vamos transportá-la para o mundo contemporâneo dos diferentes gêneros digitais, com suas respectivas especificidades e funções sociais.
A qual gênero digital mais se alinharia o perfil aqui delineado da personagem?