Leia atentamente o texto e o poema a seguir transcritos para responder à questão.
Texto
A terceira fase do movimento modernista brasileiro, já bem distante da Semana de Arte Moderna de 1922, caracteriza-se por traços bastante distintivos de seu instante inicial, muitos indicando rupturas entre os dois períodos anteriores, dos quais podem se destacar a busca por nova expressão literária, anseios por experimentações e inovações estéticas (mais preocupada com a palavra e a forma): oposição à liberdade formal, valorização da métrica e da rima e linguagem mais objetiva.
No plano externo à formalidade estética, o Brasil estava vivendo o fim do Estado Novo – sob o governo de Getúlio Vargas, e na esfera mundial a expectativa do fim da Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria entre as duas potências vitoriosas no conflito recém terminado, Estados Unidos e União Soviética.
Poema
Catar feijão
1.
Catar feijão se limita com escrever:
jogam-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na da folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
2.
Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com o risco.
Na segunda e última estrofe da composição, o poeta completa o seu discurso comparativo entre as duas ações e traz a sua conclusão.
Assim, sem se esquecer da parte anterior, assinale a alternativa correta.