Leia o fragmento do soneto III de “Três sonetos crepusculares” do livro Nova antologia poética, de Afonso Felix de Sousa, e o trecho do conto “Livro dos homens”, da obra homônima, de Ronaldo Correia de Brito.
Três sonetos crepusculares
[...]
III
E o resto do caminho? E o resto? E o resto?
Bússola alguma vindo em meu socorro
e a dúvida é o menos indigesto
dos pratos que rumino enquanto morro.
Que morro em ter adiante esse funesto
ter que morrer. E o resto? E o resto? Escorro
rampa abaixo, e é em vão qualquer protesto
como em vão é o uivar do meu cachorro
ou a armadura do Anjo que me guarda.
Fé, esperança, amor – e onde a certeza?
Onde Deus, que não falha, e tarda? E tarda?
[…]
SOUSA, Afonso Felix de. Nova antologia poética. Goiânia: Cegraf/UFG, 1991. p. 142. (Grifos nossos).
[...]
Falou o pai de Oliveira, aprovado pelos fazendeiros que também perdiam seus rebanhos naquela demanda escusa. O dinheiro não contava mais, dessem-no por perdido. A justiça, sim, precisava ser feita, pelo único modo que conheciam. A justiça de Deus tarda, mas não falha. A dos homens tarda e falha. Com firmeza e coragem, ela podia ser apressada. O nome de Oliveira estava registrado no Livro dos Homens, na paróquia onde foi batizado. Honrasse o livro ou nunca mais voltasse para casa.
[...]
BRITO, Ronaldo Correia de. Livro dos homens. São Paulo: Cosac Naify, 2005. p. 171-172. (Grifos nossos).
[...]
Falou o pai de Oliveira, aprovado pelos fazendeiros que também perdiam seus rebanhos naquela demanda escusa. O dinheiro não contava mais, dessem-no por perdido. A justiça, sim, precisava ser feita, pelo único modo que conheciam. A justiça de Deus tarda, mas não falha. A dos homens tarda e falha. Com firmeza e coragem, ela podia ser apressada. O nome de Oliveira estava registrado no Livro dos Homens, na paróquia onde foi batizado. Honrasse o livro ou nunca mais voltasse para casa.
[...]
BRITO, Ronaldo Correia de. Livro dos homens. São Paulo: Cosac Naify, 2005. p. 171-172. (Grifos nossos).
As expressões em negrito remetem a uma reflexão frequente tanto na poesia de Afonso Felix de Sousa como nos contos de Ronaldo Correia de Brito. Os sentidos dessas expressões no soneto e no conto são, respectivamente,