Na crônica ―Ginastas da valentia‖, De Campos Ribeiro (1901-1980) evoca a introdução da capoeira na Belém do início do século XX:
―Belém do começo do século, e possivelmente até o crepúsculo da segunda década, se não chegou a empório de capoeiragem bem perto disso andou. // Os ginastas da valentia, autênticos uns, outros simples valentões de costas quentes, por aqui ganharam fama, por ações na maioria de execrável memória, executadas que eram por mercenária motivação. [...] // A introdução da capoeira entre nós, é fora de dúvida, teve como autores marinheiros que o sul nos mandava, para aqui servir no velho Arsenal de Marinha e nos navios da Armada, tais o patacho ―Guajará‖ ou canhoneira ―Guarani‖. // Gente cuja disciplina a bordo se fazia ao ‗canto‘ e ao ‗bailado‘ rebolante da chibata, aqui fora, na rua, não compreendia uma ‗licença‘ sem um rolo dos bons, para não perder a forma e manter viva a agilidade, num ‗rabo de arraia‘ ou numa entrada de ‗tesoura‘... // Adversários preferidos, os homens da polícia, a Brigada que ganhara cartaz de dureza, ‗sangue na guelra‘ em Canudos [bairro]. A Doca do Reduto, ali pertinho mesmo do Primeiro de Infantaria, foi muita vez arena para sangrentos ‗entreveros‘.‖ (RIBEIRO, José Sampaio de Campos. Gostosa Belém de outrora. Belém: Imprensa Universitária do Pará, [19--]. p. 51-2)
A crônica citada, além de informar acerca da introdução da capoeira em Belém e da gíria peculiar desta (―rabo de arraia‘‖, ―tesoura‖, etc.), documenta, em meio a um registro mais formal, palavras ou expressões populares, como se vê em