PIMENTEL
Pronto.
(Tuninho, de cócoras, põe o dinheiro no chão e começa a contar.)
TUNINHO Três, quatro, cinco mil cruzeiros... Sabe que eu estou bolando uma ideia... Seis, sete, oito, nove, dez mil cruzeiros... Uma ideia... Genial... (Tuninho arruma e põe os primeiros dez mil cruzeiros num bolso.) Onze, doze, treze... Que tal se a gente fizesse uma missa de sétimo dia bacana?... Catorze, quinze, dezesseis... Missa de interromper o trânsito?... Dezessete, dezoito, dezenove, vinte... (Põe os outros dez mil cruzeiros noutro bolso.) Podia ser uma missa de três padres e dez coroinhas... vinte e um, vinte e dois, vinte e três, vinte e quatro, vinte e cinco, vinte e seis... Com música... trinta mil cruzeiros... Uma missa abafante... O resto está certo!... (Em cada bolso, Tuninho põe dez mil cruzeiros.) Não é um grande golpe?
PIMENTEL
(Na sua impotência.)
Desapareça!
(RODRIGUES, N. A Falecida. In: Três Peças. São Paulo: Círculo do livro, sd. p.340-341.)
Do ponto de vista formal, levando em conta o uso da linguagem e o modo como a peça é estruturada, considere as afirmativas a seguir.
I. A comunicação entre as personagens se dá a partir da utilização de frases de efeito.
II. As indicações cênicas, ou seja, as “rubricas”, são construídas a partir de uma linguagem marcadamente culta, que distingue autor e personagens.
III. Enquanto Tuninho fala de modo coloquial, Pimentel se expressa sempre de maneira formal, o que é um distintivo de suas respectivas condições sociais.
IV. A indicação de cenário é bastante minimalista, quase inexistem os objetos cênicos, que em geral precisam ser abstraídos pelo público e pelos leitores.
Assinale a alternativa correta.