Texto 1:
Brasil é segundo país com maior nível de estresse do mundo
Bárbara Barbosa, 24/9/2018.
[...] Segundo a International Stress Management Association (Associação Internacional de Gerenciamento do Estresse), o Brasil é o segundo país do mundo com o maior nível de estresse. [...]
De cada dez trabalhadores brasileiros, pelo menos três sofrem da chamada síndrome de Burnout, que seria o esgotamento mental intenso, causado por pressões no ambiente profissional. De acordo com a pesquisa, os mais afetados são os profissionais que lidam diretamente com o público, como médicos, professores e enfermeiros. “A síndrome de Burnout é o último nível de estresse. Ele se caracteriza por esgotamento mental intenso, principalmente por pressões no ambiente de trabalho”, destaca a psicóloga Carina Mengue. [...]
A psicóloga esclarece que o organismo humano está naturalmente preparado para lidar com o estresse. A habilidade surge da busca por sobreviver à seleção natural, como em caso de fuga de um perigo real. A doença, no entanto, se forma quando o estresse é contínuo. “Nesse caso, o sistema de defesa é acionado sempre e desgasta o organismo. O estresse contínuo e intenso pode causar aumento da pressão e problemas cardíacos”, afirma. Segundo ela, os sintomas não se limitam ao campo mental e atingem também a parte física. “O estresse está ligado ao aumento dos níveis de cortisol na corrente sanguínea e este aumento além de afetar a mente pode levar às doenças físicas como alergias e tensão muscular, por exemplo,” destaca.
Ela diz que por falta de informação, o conceito de estresse acabou banalizado. “As pessoas não veem o estresse como uma doença. [...] existe um estigma de que o estresse pode significar fraqueza” [...].
Adaptado de: http://www.engeplus.com.br/noticia/saude/2018/brasil-e-segundo-pais-com-maior-nivel-de-estresse-do-mundo.
Texto 2:
Estudos recentes indicam que estresse tem íntima relação com depressão, até mais que níveis baixos de serotonina
Drauzio Varella, 25/4/2011, revisado em 13/8/2019.
Na depressão, o existir é um fardo insuportável. [...] Depressão é a tristeza quando não tem fim, quadro muito diferente do entristecer passageiro ligado aos fatos da vida. É uma doença potencialmente grave que interfere com o sono, com a vontade de comer, com a vida sexual, com o trabalho, e que está associada a altos índices de mortalidade por complicações clínicas ou suicídio. É a mais comum de todas as enfermidades psiquiátricas, acomete mais as mulheres e apresenta caráter recidivante: depois do primeiro episódio, a probabilidade de ocorrer outro é de 50%; depois do segundo, sobe para 75%; e, depois do terceiro, para pelo menos 90%. [...]
Há 40 anos a explicação mais aceita tem sido a de que no cérebro dos deprimidos haveria diminuição da produção de certos neurotransmissores (substâncias que agem na transmissão de sinais entre os neurônios), entre os quais a serotonina provavelmente exerceria papel preponderante.
A ideia de que baixos níveis de serotonina em certas áreas do cérebro seriam a causa da depressão foi reforçada pela demonstração de que o aparecimento de medicamentos capazes de aumentar as concentrações cerebrais desse neurotransmissor (das quais as mais populares são a fluoxetina e a sertralina) beneficiou grande número de pacientes.
Nos últimos 10 anos, no entanto, a hipótese dos níveis inadequados de serotonina passou a ser cada vez mais contestada. O principal argumento contrário a ela foi o de que, embora concentrações diminuídas desse neurotransmissor tenham sido detectadas no sistema nervoso central de vítimas de tentativas violentas de suicídio, nunca foi possível demonstrar deficiência de serotonina no cérebro de pacientes deprimidos.[...]
Neurocientistas proeminentes defendem a teoria de que o mecanismo através do qual o estresse induziria depressão estaria ligado ao hipocampo: os hormônios do estresse suprimiriam o nascimento de novos neurônios nessa estrutura crucial para o processamento da memória. Tal suspeita ganhou ímpeto especialmente depois da publicação, meses atrás, de uma descoberta inesperada: depois de duas ou três semanas de tratamento com drogas antidepressivas começam a nascer novos neurônios no hipocampo (neurogênese). Esse achado explicaria também por que, apesar de os antidepressivos elevarem imediatamente os níveis cerebrais de serotonina, sua ação benéfica só se manifesta semanas mais tarde. [...]
O conhecimento da arquitetura dos circuitos cerebrais envolvidos na depressão adquirido nos últimos dez anos provocou uma explosão de ensaios terapêuticos com drogas dotadas de mecanismos de ação muito diferentes das atuais. Estamos no limiar de descobertas que revolucionarão o tratamento dessa enfermidade tão debilitante.
Adaptado de: https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/estresse-e-depressao-artigo/.
Analise as afirmações acerca dos parágrafos 2, 3 e 4 do Texto 2.
Nos parágrafos 2, 3 e 4 do Texto 2
1. a abundância de serotonina, uma substância neurotransmissora de sinais entre os neurônios, tem sido perceptível no cérebro dos deprimidos.
2. o parágrafo 2 é semanticamente hipotético.
3. medicação antidepressiva, via fluoxetina e a sertralina, seriam capazes de aumentar a concentração de serotonina no cérebro.
4. o início do parágrafo 3 é semanticamente incisivo e objetivo e o fim é hipotético.
5. o uso do pronome demonstrativo “desse”, nos dois casos, não atende às normas gramaticais.
6. o parágrafo 4 é prolixo, conclusivo, esclarecedor.
7. “concentrações diminuídas... detectadas” e “nunca foi possível demonstrar” são as ideias contraditórias do parágrafo 4.
8. expressões como: “haveria”, “provavelmente exerceria”, “seriam”, “certos”, “certas áreas”, “grande número”, “a hipótese”, “tenham sido” são evidentes provas da imprecisão de Drauzio Varella, quanto à compreensão do objeto sobre o qual discursa ou em relação ao domínio da língua padrão, quando revisou seu texto em 13/8/2019.
9. serotonina é a principal ideia geradora dos parágrafos 2, 3 e 4.
10. de modo contextual, “Há 40 anos” e “Nos últimos 10 anos” expressam as ideias de tempos distintos, nos quais, respectivamente: houve e, não houve mudanças.
A soma dos números que identificam as afirmações corretas é: