ARTIGO
Denomina-se sertão toda a extensão semiárida de terra concedida por Deus ao homem nascido no lugar misturado às plantas e aos animais, tendo, como limites, ao norte, o sol ardente da agonia, ao sul, a esperança renovada com as nuvens carregadas que molham o chão, a leste, o latifúndio improdutivo, e a oeste, as plantas que brotam do esforço do pequeno agricultor.
Denomina-se sertanejo o habitante desses limites, ser humano sem fronteiras na força e na coragem, ilimitado na sua constante busca por dias melhores em meio às intempéries da natureza e do abandono dos governantes.
ARTIGO
Na sua condição de cidadão, deve ser finalidade de todo sertanejo praticar o bem e viver em paz, uns com os outros, como bons vizinhos, e unir as forças para manter respeitado o nome do sertão em toda e qualquer situação em que possa haver desonra a seu povo, sua história, sua geografia, seus aspectos econômicos e sociais, seus costumes, lendas, tradições e religiosidade.
COSTA, Rangel Alves da. Estatuto do Sertanejo. Disponível em: http:/ /meuartigo.brasilescola.uol.com.br/curiosidades/estatuto-sertanejo.htm. Acesso em: 21 out. 2017.
TEXTO:
Pouco a pouco uma vida nova, ainda confusa, se
foi esboçando. Acomodar-se-iam num sítio pequeno, o
que parecia difícil a Fabiano, criado solto no mato.
Cultivariam um pedaço de terra. Mudar-se-iam depois
[5] para uma cidade, e os meninos frequentariam
escolas, seriam diferentes deles. Sinha Vitória
esquentava-se. Fabiano ria, tinha desejo de esfregar as
mãos agarradas à boca do saco e à coronha da
espingarda de pederneira.
[10] Não sentia a espingarda, o saco, as pedras miúdas
que lhe entravam nas alpercatas, o cheiro de carniças
que empestavam o caminho. As palavras de Sinha
Vitória encantavam-no. Iriam para diante, alcançariam
uma terra desconhecida.
[15] Fabiano estava contente e acreditava nessa terra,
porque não sabia como ela era nem onde era. Repetia
docilmente as palavras de Sinha Vitória, as palavras que
Sinha Vitória murmurava porque tinha confiança nele. E
andavam para o sul, metidos naquele sonho. Uma cidade
[20] grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos em
escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias. Eles
dois velhinhos, acabando-se como uns cachorros,
inúteis, acabando-se como Baleia. Que iriam fazer?
Retardaram-se, temerosos. Chegariam a uma terra
[25] desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E
o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão
mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como
Fabiano, Sinha Vitória e os dois meninos.
RAMOS, G. Vidas Secas. 71. ed. São Paulo: Record, 1996. p. 125-126
Estabelecendo-se uma análise comparativa entre os Artigos, de Rangel Alves, e o texto, de Graciliano Ramos, é correto afirmar: