Da observação da paisagem depreendem-se dois elementos fundamentais: o primeiro diz respeito ao “espaço construído”, imobilizado nas construções; o segundo diz respeito ao movimento da vida.
O primeiro aspecto que chama a atenção quando se observa a paisagem é o choque dos contrastes, das diferenças. Contrastes de tipo e diversidade de utilização: usos do solo.
Tais diferenciações baseiam-se no fato de que é, antes de mais nada, uma concentração de pessoas exercendo, em função da divisão social do trabalho, uma série de atividades concorrentes ou complementares, desencadeando uma disputa de usos.
Por outro lado, a produção do espaço fundamenta-se num processo desigual; logo, deverá necessariamente refletir essa contradição. No caso do uso produtivo do espaço, este será determinado pelas características do processo de reprodução do capital; é o caso da localização das indústrias apoiada pelas atividades financeiras, comerciais, de serviços e de comunicação. No caso oposto, o espaço da reprodução da força de trabalho se manifesta no uso residencial, incluindo o lazer e a infraestrutura necessária: escolas, creches, hospitais, pronto-socorros, transportes e serviços em geral, que são os meios de consumo coletivo. Entretanto o modo de utilização será determinado pelo valor que, em seu movimento, redefine constantemente a dinâmica do acesso ao solo.
(CARLOS. 2001. p. 40-41).
A análise do texto permite afirmar corretamente que ele