Leia o texto de Eliane Potiguara para responder à questão.
Mulher indígena: mãe, mulher e professora
Autora: Eliane Potiguara
[...] A libertação do povo indígena passa radicalmente pela cultura, pela espiritualidade e pela cosmovisão das mulheres. O papel da mulher na luta pela identidade é natural, espontâneo e indispensável. A mulher tem a função política de gerar o filho e educá-lo conforme as tradições, assim como na sociedade envolvente. Se criarmos um adolescente num ambiente de tráfico de drogas, ele poderá vir a ser um marginal procurado pela polícia. Com relação à cultura indígena, a mulher é uma fonte de energias, é intuição, é a mulher selvagem não no sentido primitivo da palavra, mas selvagem como desprovida de vícios de uma sociedade dominante, uma mulher sutil, uma mulher primeira, um espírito em harmonia, uma mulher intuitiva em evolução para com sua sociedade e para com o bem-estar do planeta Terra. Essa mulher não está condicionada psicológica e historicamente a transmitir o espírito de competição e dominação segundo os moldes da sociedade contemporânea. O poder dela é outro. Seu poder é o conhecimento passado através dos séculos e está reprimido pela história. A mulher intuitivamente protege os seios e o ventre contra seu dominador e busca forças nos antepassados e nos espíritos da natureza para sobrevivência da família. Todos esses aspectos foram mais preservados do que no homem. Franz Fanon, escritor argelino/África, nos mostra em seu livro Condenados da Terra como o processo de violência, tortura, repressão e opressão deixou o povo argelino anestesiado, cabisbaixo, triste, infeliz e até louco, na luta pela libertação nacional, na década de 1960 do século XX. O mesmo aconteceu com os povos das Missões Guarani. Senão vejamos: existiu de 1610 a 1768, portanto um século e meio, um tipo de sociedade chamada República Cristã dos Guarani ou República dos Guarani, envolvendo os estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e uma parte do Paraguai, Argentina e Uruguai, criada pelos bem-intencionados jesuítas contra os espanhóis e portugueses que queriam submetê-los, subjugá-los como escravos. Mas mesmo nessas missões onde a população aprendia artes, ofícios, astrologia, filosofia, matemática, física etc não foi o suficiente para torná-los felizes. Após a expulsão dos jesuítas por Marquês de Pombal, em 1759, a República foi totalmente dissolvida.
POTIGUARA, Eliane. Metade cara, metade máscara. São Paulo: Global, 2004, p.46
Sobre o texto da indígena Eliane Potiguara, avalie as afirmações a seguir e marque V para alternativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Ao comparar de forma intertextual os argelinos com os guaranis, a autora aborda sobre causas e consequências das relações colonialistas que são semelhantes, embora tenham ocorrido em continentes distintos.
( ) No excerto “se criarmos um adolescente num ambiente de tráfico de drogas, ele poderá vir a ser um marginal procurado pela polícia” é uma oração subordinada condicional que evidencia a responsabilidade de educadores na trajetória de uma pessoa.
( ) A autora defende uma sociedade onde as mulheres atuem na transmissão de princípios, rituais e tradições do povo, porque elas são superiores aos homens.
( ) No trecho “mas mesmo nessas missões onde a população aprendia artes, ofícios, astrologia, filosofia, matemática, física etc. não foi o suficiente para torná-los felizes, as palavras destacadas são, respectivamente: conjunção adversativa, pronome relativo e pronome oblíquo.
( ) No fragmento “a mulher é uma fonte de energias, é intuição, é a mulher selvagem”, Eliane apresenta uma mulher que não sabe lidar com as questões da sociedade atual, porque ela se preocupa exclusivamente com o que os indígenas antigos faziam.
( ) O enunciado “a mulher intuitivamente protege os seios e o ventre contra seu dominador e busca forças nos antepassados e nos espíritos da natureza para sobrevivência da família”, reforça a relevância da identidade cultural na transmissão de valores às novas gerações. E é, gramaticalmente, um período composto por coordenação aditiva cujos verbos são transitivos diretos.
( ) O texto sugere que Eliane fala do seu lugar como mulher e cidadã indígena. Ela se posiciona política e criticamente frente à sociedade brasileira onde as mulheres ainda lutam por respeito e reconhecimento.
Está correta a alternativa que apresenta a sequência, marcada de cima para baixo.