Leia o poema “Muitas Vozes”, de Ferreira Gullar, para responder as questões 43 e 44.
MUITAS VOZES
Meu poema
é um tumulto:
a fala
que nele fala
outras vozes
arrasta em alarido.
estamos todos nós
cheios de vozes
que o mais das vezes
mal cabem em nossa voz
se dizes pera
acende-se um clarão
um rastilho
de tardes e açucares
ou
se azul disseres
pode ser que se agite
o Egeu
em tuas glândulas
A água que ouviste
num soneto de Rilke
os ínfimos
rumores no capim
o sabor
do hortelã
essa alegria
A boca fria
da moça
o maruim na poça
a hemorragia da manhã
Tudo isso em ti
se deposita
e cala.
Até que de repente
um susto
ou uma ventania
(que o poema dispara)
chama
esses fosseis à fala.
Meu poema
é um tumulto, um alarido:
basta apurar o ouvido.
GULLAR, Ferreira. Muitas Vozes. Rio de Janeiro: José Olympio / Bertrand, 2002.
Analise as assertivas a seguir.
I. O autor é um escritor maranhense, cuja obra é marcada pelo lirismo, pela contestação e pelo engajamento político.
II. No poema, ao afirmar que “estamos todos nós / cheio de vozes”, o eu lírico sugere que nosso discurso é uma mistura de muitas vozes que interagem e falam pela nossa voz.
III. Na terceira, quarta e quinta estrofes, o eu lírico utiliza a primeira pessoa do discurso para falar de si próprio.
IV. Na estrofe final, o eu lírico volta a utilizar a primeira pessoa e caracteriza seu poema como um “tumulto, um alarido”.
Pela análise das afirmações, conclui-se que: