Leia os dois textos teóricos a seguir:
Texto 1
“Metaficção é a ficção que versa sobre si mesma: romances e contos que chamam a atenção para o status ficcional e o método usado em sua escritura. O avô de todos os romances metaficcionais foi Tristam Shandy, cujos diálogos entre o narrador e os leitores imaginários são apenas um dos inúmeros recursos que Sterne usou para realçar a lacuna existente entre a vida e a arte, que o realismo tradicional tenta ocultar.”
(Fonte: LODGE, John. A arte da ficção. Tradução de Guilherme da Silva Braga. Porto alegre: P&PM).
Texto 2
“METAFICÇÃO
Ao longo de um romance ou uma novela, o narrador reflete acerca do que escreve, dividindo com o leitor as certezas e as perplexidades que o transcorrer dos acontecimentos e a articulação mais adequada das unidades narrativas lhe sugerem.
[...]
É a ficção que pensa a si própria dentro do texto em que se desenvolve, obedecendo a um impulso de autodesenvolvimento, como se o autor, desdobrado num “outro”, se espionasse no ato de construir o edifício narrativo, cujos antecedentes podem remontar a Cervantes e o Dom Quixote.”
(Fonte: MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. 12.ed. São Paulo: Cultrix, 2004).
Levando em conta as considerações de David Logde e Massaud Moisés a respeito do mesmo tema, assinale o trecho do romance São Bernardo, de Graciliano Ramos que NÃO se caracteriza como metaficcional: