O tempo não é um conceito empírico que derive de uma experiência qualquer, porque nem a simultaneidade nem a sucessão surgiriam na percepção se a representação do tempo não fosse o seu fundamento a priori. Só pressupondo-a, podemos representar que uma coisa existe num só e mesmo tempo (simultaneamente) ou em tempos diferentes (sucessivamente).
O tempo é uma representação necessária que constitui o fundamento de todas as intuições. Não podemos suprimir o próprio tempo em relação aos fenômenos em geral, embora possamos perfeitamente abstrair os fenômenos do tempo. O tempo é, pois, dado a priori. Somente nele é possível toda a realidade dos fenômenos. De todos esses podemos prescindir, mas o tempo (enquanto a condição geral da sua possibilidade) não pode ser suprimido. (…) O tempo não é algo que exista em si ou que seja inerente às coisas como uma determinação objetiva e que, por conseguinte, subsista, quando abstraímos todas as condições subjetivas da intuição das coisas. (…) Isso pode muito bem ocorrer se o tempo for apenas a condição subjetiva indispensável para que tenham lugar em nós todas as intuições. Assim, essa forma de intuição interna pode representar anteriormente os objetos, portanto a priori. (…) O tempo não é mais do que a forma do sentido interno, isto é, da intuição de nós mesmos e do nosso estado interior. (…) O tempo é a condição formal a priori de todos os fenômenos em geral.
(FONTE: KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001, p. 70-73).
Kant afirma: "O tempo é, pois, dado a priori." Com isso, ele indica que:
I. O tempo é condição de possibilidade das outras intuições.
II. O tempo existe como anterior a qualquer coisa.
III. A percepção de alguma coisa, em um certo momento, depende da representação do tempo como fundamento a priori.
IV. A experiência do tempo, como se fosse um fenômeno representado, não existe.
Estão corretas apenas