Leia, abaixo, o soneto I do livro “Via Láctea”, de Olavo Bilac.
Talvez sonhasse, quando a vi. Mas via
Que, aos raios do luar iluminada
Entre as estrelas trêmulas subia
Uma infinita e cintilante escada.
E eu olhava-a de baixo, olhava-a... Em cada
Degrau, que o ouro mais límpido vestia,
Mudo e sereno, um anjo a harpa doirada,
Ressoante de súplicas, feria...
Tu, mãe sagrada! vós também, formosas
Ilusões! sonhos meus! íeis por ela
Como um bando de sombras vaporosas.
E, ó meu amor! eu te buscava, quando
Vi que no alto surgias, calma e bela,
O olhar celeste para o meu baixando...
Quanto ao poema acima, é possível afirmar que
I. se trata claramente de um soneto de amor, em que o eu lírico tem uma visão opaca da amada, tal como era comum no Simbolismo.
II. o sonho e a atmosfera de delírio do poema determinam que o soneto é romântico, o que se confirma pela época literária a que pertence Olavo Bilac.
III. uma das leituras mais plausíveis é a de que a mulher de que trata o soneto é a virgem Maria, mãe de Jesus, a quem o eu lírico busca em momento de oração.
IV. o soneto, mesmo sendo parnasiano, não obedece ao rigor formal da escola literária de Olavo Bilac.
V. embora seja um soneto parnasiano, é possível perceber nele traços que se ligam a outras escolas literárias, como o simbolismo e o romantismo.
Está correto o que se afirma apenas nas proposições