Leia as duas estrofes finais do poema “A flor e a náusea”, de Carlos Drummond de Andrade:
“Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da
| tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura. Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico. É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”
Analise as assertivas abaixo:
I. Há predominância de coordenação entre as orações, pois todas elas têm ausência de conectivo, e se fôssemos mentalmente imaginá-los, ainda assim seriam conectivos coordenativos.
II. A coordenação é o principal processo de montagem das orações nas estrofes citadas, mas não é o único, haja vista que podemos, por exemplo, imaginar o conectivo subordinativo “porque” entre a segunda e a primeira orações.
III. Do ponto de vista semântico, um conectivo possível, para ligar a última oração à sua antecedente, seria “tanto que”, o que justifica classificá-la como subordinada consecutiva.
IV. Pronomes possessivos, pronome demonstrativo, elipses, entre outros elementos, contribuem para a manutenção da coesão do excerto textual.
V. Há coesão entre todos os versos do texto, mas não coerência. Expressões como “galinhas em pânico” e “Furou o asfalto”, esta tendo como sujeito implícito “a flor”, tornam o texto de certa forma incoerente, pois uma flor não tem o poder de romper o asfalto.
Quanto às assertivas acima,