INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.
TEXTO
Maria Helena de Moura Neves – Em defesa de uma gramática que funcione
Luciana Christante
Para a maioria das pessoas alfabetizadas no Bra-
sil, gramática é sinônimo de decoreba. Maria Helena
de Moura Neves, uma das mais respeitadas linguistas
do país, concorda: “Isso que se ensina na escola é
[5] ‘gramatiquice’”. Antes não houvesse, segundo ela,
porque cria um bloqueio nos alunos e impede que se
veja sua real beleza.
Se gramática não é apenas um conjunto de regras
tediosas que servem para classificar mecanicamente
[10] palavras, locuções e orações, o que é afinal? “É aquilo
que arranja e arquiteta a produção de sentidos. É a
língua no seu funcionamento. A maior parte do que se
decora nas aulas de gramática não é verdade, porque
não é assim que a linguagem funciona”, afirma.
[15] Contrastar regra e realidade é uma das principais
linhas de trabalho da pesquisadora, o que rendeu
dois livros: Guia de uso do português (Editora Unesp,
2000) e Gramática de usos do português (Editora
Unesp, 2003) – dois catataus, um com 800 e o outro
[20] com mais de mil páginas. Para mostrar que a riqueza
e o dinamismo da língua não cabem em manuais
engessados, ela cita o caso do “mas”.
Segundo a norma gramatical, “mas” é uma
conjunção adversativa, ou seja, serve somente para
[25] ligar duas orações contrárias. Na prática, porém,
ela aparece conectando também frases que vão na
mesma direção. “Comprei esse livro, mas em São
Paulo”, exemplifica a autora em sua sala no campus
de Araraquara. Outro exemplo, desta vez literário,
[30] vem do conto “O búfalo”, de Clarice Lispector, cuja
primeira frase é “Mas era primavera.”. “Ninguém pode
dizer que Clarice não sabia gramática”, ironiza.
É nesse terreno escorregadio da linguagem, em
que as palavras deslizam para conferir ao texto dife-
[35] rentes efeitos de sentido, que a linguista transita com
desenvoltura e gostaria de ver os alunos mergulha-
dos. Esse é o caminho, segundo ela, para reconhecer
as características objetivas, persuasivas ou poéticas
de um texto, o que é muito mais importante do que
[40] saber se o sujeito é composto ou oculto. “Desse modo,
o aluno cria gatilhos mentais, de forma que, quando
quer falar ou escrever para produzir tal sentido, ele
aciona esse processamento. Em vez de ficar tateando
a superfície das palavras, o aluno deveria ser levado
[45] a penetrar no texto”, defende.
Fragmento adaptado de: http://www.editoracontexto.com.br/ blog/maria-helena-de-moura-neves-em-defesa-de-umagramatica-que-funcione/. Acesso em 12 mai. 2018.
Para qual das perguntas a seguir se encontra resposta no texto?