A pandemia deixou marcas profundas na cultura brasileira e uma das perdas mais significativas foi a de Aldir Blanc, poeta, compositor e escritor, que morreu na madrugada do dia quatro de maio de 2020, no Rio de Janeiro, vitima do novo coronavirus. Blanc tinha 73 anos e deixou seu nome eternizado na música popular brasileira com canções feitas em parceria com João Bosco e reconhecidas como clássicos na voz da cantora Elis Regina.
Destacam-se as canções:
O Bêbado e o Equilibrista (1979)
Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos
A lua, tal qual a dona de um bordel
Pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel
E nuvens, lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas, que sufoco
Louco, o bêbado com chapéu coco
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil, meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu num rabo-de-foguete
Chora a nossa pátria, mãe gentil
Choram Marias e Clarices no solo do Brasil
Mas sei, que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista tem que continuar.
O Mestre Sala dos Mares (1974)
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão no mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
À quem a história nunca esqueceu
Conhecido como Navegante Negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar
Na alegria das regatas
Foi saudado no porto
Pelas mocinhas francesas
Jovens polacas
E por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas dos santos
Entre cantos e chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que a exemplo do feiticeiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o Navegante Negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas salve
Salve o Navegante Negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo.
Ambas as canções remetem à memória de episódios distintos da história brasileira no século XX. O Mestre Sala dos Mares faz uma homenagem ao marinheiro negro, João Cândido, um dos líderes da Revolta da Chibata, em 1910, movimento mobilizado ____; O bêbado e o equilibrista foi lançada num contexto de redemocratização do Brasil e tornou-se a canção símbolo da ______.
Assinale a alternativa correta conforme as lacunas a serem preenchidas: