Cloroquina contra Covid-19 vai da “eficácia não comprovada” à “ineficácia comprovada”
Infectologistas pressionam conselhos para adotar posição mais dura contra médicos que ainda receitam medicamento contra coronavírus.
SÃO PAULO — O uso da hidroxicloroquina para Covid-19 está ganhando um status que poucas
drogas têm. De produto “sem eficácia comprovada” para tratar a doença, entra agora no seleto rol das dos
fármacos que têm “ineficácia comprovada”, dada a quantidade de ensaios clínicos fracassados que
protagonizou.
[5] No Brasil, por conta disso, um grupo de ex-presidentes do Conselho Federal de Medicina e dois
conselhos estaduais (Cremesp, de São Paulo, e Cremery, do Rio) divulgaram cartas na semana passada
pedindo que as direções atuais notifiquem os médicos que pregam ainda o uso de cloroquina e derivados,
normalmente receitadas no contexto do que o governo chama de “tratamento precoce”.
Para o infectologista Mauro Shechter, professor titular da UFRJ, os estudos clínicos mais robustos
[10] todos apontaram em uníssono para o fracasso da hidroxicloroquina contra a Covid-19.
— Esse assunto acabou — diz o médico, que vem compilando literatura técnica sobre o tema desde o
início da pandemia. — Eu desconheço qualquer outra droga cuja ineficácia tenha sido comprovada e que
tenha sido alvo de tanta insistência em testes clínicos depois.
Com sociedades médicas e centros de referência emitindo recomendações contrárias ao uso da
[15] droga, infectologistas brasileiros reclamam de omissão por parte do CFM. Sob argumento de que os
médicos são autônomos para prescrever medicamentos a seus pacientes, o órgão de classe não emitiu
recomendação contrária nem notifica os médicos que adotaram a prática.
“Conclamamos, por ser um imperativo ético, que o CFM oriente a população médica (...) evitando o
uso de condutas terapêuticas sem respaldo cientifico; bem como a disseminação de informações falsas
[20] sobre a doença”, afirmaram em carta cinco ex-presidentes da entidade.
Um exemplo adotado para fazer pressão é o painel de revisão dos NIH (Institutos Nacionais de
Saúde), nos EUA, que atualiza recomendações semanalmente de acordo com a literatura médica vigente.
“O painel recomenda contra o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina,
para o tratamento de pacientes com Covid-19”, indica a versão mais recente do documento.
[25] A Sociedade Brasileira de Infectologia, que emite recomendações para sua especialidade médica,
também nominou as drogas que desrecomenda.
“A SBI não recomenda tratamento farmacológico precoce para Covid-l9 com qualquer
medicamento (cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco,
vitaminas, anticoagulante, ozônio por via retal, dióxido de cloro), porque os estudos clínicos randomizados
[30] com grupo controle existentes até o momento não mostraram benefício”, afirma o último protocolo da
entidade.
— Cabe ao CFM deixar claro o que tem de evidência cientifica, e não ficar omisso em relação a essa
questão — afirma a infectologista Raquel Stucchi, professora da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp). Segundo a médica, como não paira mais dúvida sobre a eficácia da cloroquina, sua prescrição
[35] não se trata mais de uma questão de autonomia profissional de individuos médicos.
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No parágrafo “— Esse assunto acabou — diz o médico, que vem compilando literatura técnica sobre o tema desde o início da pandemia. — Eu desconheço qualquer outra droga cuja ineficácia tenha sido comprovada e que tenha sido alvo de tanta insistência em testes clínicos depois”, quanto a recursos empregados em sua construção, podemos dizer que
( ) o emprego de “esse” revela um problema de construção do parágrafo, uma vez que o leitor fica sem ter como entender o emprego da expressão que deveria ser elucidada pela retomada de algo que já foi mencionado no texto.
( ) o emprego de “droga” confunde o leitor, que pode associar o medicamento a alguma substância ilícita.
( ) ao dizer que desconhece “outra droga cuja ineficácia tenha sido comprovada e que tenha sido alvo de tanta insistência em testes clínicos depois”, o enunciador manifesta sua crítica quanto ao uso de um medicamento que já deveria ter sido descartado em virtude da comprovada ineficácia no combate à Covid-19.
( ) em “Esse assunto acabou”, o enunciador diz, claramente, que não houve solução para as posições divergentes e que não há por que ficarmos discutindo o assunto.
A alternativa que preenche, com (F) para falso ou (V) para verdadeiro, adequadamente, de cima para baixo, demonstrando uma avaliação do conteúdo de cada uma é