Leia o fragmento abaixo e as afirmativas que os seguem:
“Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre 1a ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. As vezes sentava-me na rede, balançando- me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.”
LISPECTOR,C. Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro:Rocco, 1998, p.12
A crônica “Tortura e glória”, de Clarice Lispector, foi publicada no Jornal do Brasil em 02 de setembro de 1967 e, em 1971, com o título “Felicidade clandestina”, integrou a coletânea de contos que recebe o mesmo nome.
I— Deslocada do jornal, essa crônica pode ser lida como um conto, pois também apresenta os elementos da narrativa literária.
II— Quando publicadas no jornal, as crônicas podem fazer a identificação do narrador-personagem com o autor, neste caso, com Clarice Lispector.
III—A crônica é um texto publicado em jornal, enquanto um conto é publicado em livro.
IV— A narradora-personagem do conto “Felicidade clandestina”, publicado em coletânea em livro, é a cronista Clarice Lispector, a menina que se identifica na história a partir do “eu”.
Assinale a alternativa correta.