TEXTO III
O “efeito Flynn” é um fenômeno observado em muitos países industrializados, onde o QI médio aumentou ao longo do século XX. Isso foi atribuído a vários fatores, incluindo melhor nutrição, maior escolaridade e exposição a tecnologias complexas. No entanto, estudos recentes indicam que essa tendência está se revertendo, com o QI médio diminuindo nas gerações mais jovens. [...].
Várias causas possíveis foram identificadas para essa diminuição do QI. Uma delas é a diminuição da qualidade e quantidade das interações intrafamiliares, essenciais para o desenvolvimento da linguagem e do emocional. Outra é a diminuição do tempo dedicado a atividades mais enriquecedoras, como lição de casa, música, arte e leitura. A perturbação do sono, que é quantitativamente reduzida e qualitativamente degradada, também é um fator contribuinte.
Maurício Munhoz Ferraz é sociólogo e professor. Atua atualmente como assessor do conselheiro Sérgio Ricardo na presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Tem mestrado em sociologia, é vice-presidente da Câmara de Comércio Brasil-Rússia
Fonte: MUNHOZ, Maurício. A diminuição geracional do QI. RDNEWS, Cuiabá, 18 de maio de 2024. Disponível em https://www.rdnews.com.br/colunistas/mauricio-munhoz/conteudos/193225
TEXTO IV
Do ponto de vista da neurociência, a aprendizagem é compreendida “[...] como modificações do SNC [Sistema Nervoso Central], mais ou menos permanentes, quando o indivíduo é submetido a estímulos e/ou experiências de vida, que serão traduzidas em modificações cerebrais. [...]”. (Rotta, 2016b, p. 469). [...].
A atenção diz respeito à capacidade que o ser humano tem de dar ênfase a fatos relevantes. Bombardeados por informações de naturezas diversa e intensa (percepções auditivas, visuais, olfativas, sonoras, etc.), o indivíduo necessita focar determinados aspectos do ambiente, ignorando outros, para que informações indispensáveis sejam processadas pelo cérebro. [...].
Há algo responsável por mobilizar a atenção e facilitar a retenção das informações pela memória: a motivação. [...]. Trata-se, em linhas gerais, de todo fator, razão ou motivo que conduz a uma ação, a uma mudança de comportamento, a um aprendizado, a um objetivo; é, assim, um tipo de impulso (externo ou interno) capaz de fazer com que um indivíduo direcione energia e tempo para realizar determinadas tarefas ou continuar aquelas já iniciadas. [...].
As funções executivas são responsáveis, conforme já adiantamos, por capacidades, entre as quais estão as de metacognição, autorregulação e tomada de decisão. Essas funções referem-se a habilidades a partir das quais os indivíduos tornam-se aptos a planejar, executar, regular e monitorar metas e objetivos, sejam de curto, médio ou longo prazos. [...].
Fonte: COSTA, Raquel Lima Silva. Neurociência e aprendizagem. Revista Brasileira de Educação, v. 28, 2023. Disponível em https://www.scielo.br/j/rbedu/a/ZPmWbM6n7JN5vbfj8fhbyfK/?lang=pt